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Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, também conhecida como reunião de Copenhague, duas notícias revelaram dados surpreendentes sobre ações de redução do aquecimento global. A primeira delas afirma que a diminuição no consumo mundial de carne bovina, além de melhorar a saúde da população, melhoraria também a do planeta, já que a atividade é responsável por 18% da emissão de CO2 na atmosfera. A segunda, não é tão surpreendente, mas divulgou números expressivos sobre o impacto do trânsito engarrafado no meio ambiente.
A carne bovina e o meio ambiente
Pesquisadores britânicos e australianos concluíram em seu estudo, publicado na revista científica “The Lancet”, que aumentar a eficiência energética, diminuir a dependência de combustíveis fósseis e aumentar a captura de carbono na atmosfera não são ações suficientes para cumprir as metas de redução na emissão de CO2. Segundo a pesquisa, divulgada numa série sobre meio ambiente e saúde, seria necessário também a diminuição do rebanho bovino e do consumo de carne.
A pecuária cresceu em todo o mundo, principalmente nos países com economias em ascensão, e as projeções dão conta de que até 2030 o rebanho mundial tenha crescido em torno de 80%. Se hoje em dia a atividade é responsável por 18% do carbono lançado na atmosfera, imagine se as previsões se confirmarem? Pensando nisso os pesquisadores recomendam uma redução de até 30% no rebanho dos principais países produtores e também no consumo de carne bovina. Segundo eles, isso resultaria em benefícios substanciais para a população e para o planeta com diminuição nas emissões de gases-estufa.
Na Grã-Bretanha, país onde o estudo foi realizado, essa redução seria capaz de prevenir cerca de 18 mil mortes causadas por doenças cardíacas a cada ano. Em São Paulo, o número seria de mil mortes evitadas anualmente.
O trânsito e o meio ambiente
Na última semana, prefeitos de vários municípios brasileiros se reuniram no Rio de Janeiro. O objetivo era encontrar soluções para um velho conhecido da população: o trânsito ruim. Este vilão do dia-a-dia não só nos atrasa como também polui o meio ambiente, disso sabemos bem, pois é visível nas fumaças escuras que saem dos escapamentos. O que chama a atenção nos números divulgados é a grande influência que os engarrafamentos diários tem sobre o efeito estufa.
Os dados divulgados pelo Centro de Transporte Sustentável-Brasil revelam que a frota mundial de automóveis deve chegar a 2 bilhões em 2030. No Brasil, a fumaça que sai atualmente dos escapamentos é responsável por 40% da poluição nas grandes cidades e o trânsito, sozinho, já é culpado por 9% da emissão global de CO2 na atmosfera.
A maior causa desses problemas é a quantidade de pessoas por veículo, a média não chega a 2 pessoas por automóvel. A solução ideal seria a melhora no transporte público, pois os carros que ocupam uma faixa numa via urbana conseguem levar 1,5 mil pessoas por hora enquanto ônibus, no mesmo espaço, levam 10 vezes mais: 15 mil passageiros por hora. A alternativa, enquanto não se encontra uma solução efetiva para o transporte público nas grandes cidades, é o controle das emissões de fumaça tóxica pelos escapamentos. O Código Brasileiro de Trânsito prevê a vistoria ambiental desde 1998, mas na prática, somente o Estado do Rio de Janeiro e a cidade de São Paulo fazem esses testes.
Enquanto as soluções pra 2030 não chegam, que tal fazer a nossa parte? Pergunte sobre a manutenção dos carros que você utiliza, procure saber se já foram vistoriados. Utilize o transporte público, ande mais de bicicleta (sem esquecer dos itens de segurança, claro). Se cada um fizer a sua parte, o meio ambiente agradece.
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