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Cuba e a Cúpula das Américas
Mais de 50 anos se passaram da Revolução Cubana de Fidel Castro e quase nada mudou na relação entre os Estados Unidos e a ilha da América Central. Na sexta edição da Cúpula das Américas, realizada em abril de 2012 na cidade colombiana de Cartagena, os Estados Unidos voltaram a vetar a possibilidade de Cuba participar do encontro de chefes de estado do continente.
Desta vez, os norte-americanos contaram com o apoio de seu fiel vizinho, o Canadá, que também se colocou em posição contrária ao restante dos países do continente presentes ao encontro. Na opinião de Obama, falta democracia na ilha de Fidel Castro, embora isso também esteja faltando, talvez de forma menos evidente, em outros países da região que participaram da Cúpula, como Venezuela, Bolívia e Argentina. Nessa lista de falsas democracias também entraria o Equador de Rafael Corrêa, mas seu presidente resolveu boicotar o encontro por discordar da ausência de Raul Castro.
Como não poderia deixar de ser, o veto norte-americano mereceu críticas do seu principal opositor na região, a Venezuela de Hugo Chavez. Com o seu presidente em Cuba para tratamento contra o câncer, os vizinhos do Brasil deram um ultimato, se é que eles têm condições para tanto, a Barack Obama: sem Cuba, não haverá outra edição da Cúpula das Américas. Diante de tantas bravatas emitidas pelos dirigentes venezuelanos nos últimos anos, é difícil imaginar que os reis do petróleo nas Américas tenham algum sucesso. Sempre simpático ao regime castrista de Cuba, o Brasil também deu seu aval à participação dos cubanos nas próximas edições do encontro. Ainda que Dilma Rousseff seja mais suave, a posição brasileira continua seguindo a polêmica política internacional protagonizada por Luiz Inácio Lula da Silva, que flertou com ditadores como Chavez e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad. É, no mínimo, uma postura esquisita para um país democrático e que se diz defensor dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Fiel opositor ao regime cubano O veto dos Estados Unidos é apenas mais uma das posições contrárias que o governo norte-americano mantém em relação a Cuba desde o golpe de 1959 e cuja política continua sendo seguida a risca por Barack Obama. Assim como seus antecessores, Obama mantém o embargo econômico à ilha e rechaça qualquer possibilidade de negociação na ausência de democracia no país. Nada mais natural, já que uma posição favorável aos irmãos Castro geraria grande insatisfação dos imigrantes cubanos residentes nos Estados Unidos e poderia custar a reeleição de qualquer político do país. Por outro lado, talvez Cuba esteja vivendo um de seus momentos mais "democráticos" desde a tomada de Sierra Maestra por Fidel Castro e Che Guevara. Com a aposentadoria de Fidel, o seu irmão Raul vem, ainda que lentamente, abrindo as portas do país para a economia de mercado, reduzindo o tamanho do Estado e permitindo o surgimento de empresas privadas. Em uma de suas principais decisões, Raul Castro repartiu terras, melhorou os preços aos produtores, liberou a venda de implementos agrícolas e ofereceu créditos para aumentar a produção de alimentos.
Entretanto, muito ainda precisa ser feito para que Cuba possa a ser considerada novamente uma democracia. Como nas falsas democracias existentes pelo mundo, Cuba possui apenas um partido político, o do governo, e a imprensa é controlada pelo Estado, divulgando apenas informações de interesse do regime. Sem poder de voto nem voz, a oposição vive na clandestinidade e é perseguida no primeiro sinal de "rebeldia".
Ainda que os Estados Unidos não sejam a polícia do mundo, e o povo cubano deva ser o único responsável pelo seu próprio futuro, é difícil compactuar com dirigentes que atentem contra a liberdade de seu povo. A democracia deve ser a alma de qualquer civilização e nunca pode ser posta a prova por qualquer que seja o motivo, sob pena de por fim à própria civilização.
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