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Um ano de conflitos na Síria
A primavera já foi e já voltou na Síria, e a situação continua complicada no país. Ao contrário de grande parte dos seus irmãos regionais, os sírios entraram na onda revolucionária da região de forma conturbada e o ditador Bashar al Assad resiste terminantemente a deixar o poder. Resultado: mais de nove mil pessoas mortas, mais de 25 mil refugiados espalhados por Turquia, Jordânia e Líbano e uma população amedrontada, sem saber qual será o seu futuro. Se depender de Bashar al Assad, o futuro promete ser negro. De forma inconsequente, o ditador defende seu posto atacando deliberadamente civis e militares, em uma onda de terror poucas vezes vista no mundo. Além das mortes, a população síria tem sofrido com a falta de alimentos, com quase 1,5 milhão de pessoas em estado de insegurança alimentar, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês). E não é apenas o povo que está sofrendo as consequências da tirania de Al Assad. Os jornalistas que simbolizam a liberdade de expressão, que não existe na Síria, estão sendo atacados pelo exército pró-Assad. Na tentativa de calar a imprensa, dois jornalistas franceses e uma americana foram mortos, além de outros dois gravemente feridos, um britânico e uma francesa.
Mesmo entre os refugiados, a situação dos sírios é caótica. Centenas de pessoas, civis e militares, chegam diariamente aos campos espalhados pela fronteira do país em busca de refúgio e encontram falta de luz e de água, apesar das chuvas que castigam as tendas espalhadas que abrigam os refugiados. Mesmo com toda assistência dada pela Turquia, refugiados reclamam de maus tratos em alguns hospitais que vêm sendo utilizados devido à falta de um hospital de campanha.
Críticas vêm do exterior O cenário de terror na Síria tem sido alvo de críticas em toda parte do mundo. Até mesmo a Liga Árabe, que reúne as principais nações da região, vem pressionando o ditador Bashar al Assad, sem sucesso. Desde o início de 2012, os países da liga passaram a apoiar, política e materialmente, a oposição, além de terem apresentado um plano de transferência do poder de Assad para seu vice-presidente, o que não foi aceito. Existe, porém, controvérsia quanto ao interesse de Barack Obama e seus aliados em relação ao problema sírio. Ao contrário de outras oportunidades, Estados Unidos e União Europeia apenas lançaram mão de sanções políticas e econômicas. Muitos consideram que existe falta de interesse econômico das principais potências na região, enquanto outros apontam a crise econômica como freio para um apoio militar desses países à oposição síria. Outro fator que vem retardando a saída de Bashar al Assad da Síria é o apoio de Rússia, China e Irã ao ditador. Conhecidos pelo pouco apreço à democracia e com um histórico de repressões armadas no currículo, esses países ameaçam intervir caso forças internacionais se aliem à oposição síria, como aconteceu no Líbano. A situação é bastante preocupante. Sem um forte apoio internacional à oposição, a tendência é que os confrontos perdurem ainda por um longo período, deixando muitos mortos e grande parte da população do país refém das arbitrariedades de um ditador que age como se a nação fosse propriedade da sua família e de seus amigos.
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