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Hugo Chávez novamente se coloca no centro das polêmicas na América do Sul. O mais novo capítulo na turbulenta gestão do líder venezuelano é o rompimento das relações diplomáticas com o Governo da Colômbia, anunciado na última semana.
O estopim para a crise ocorreu após os colombianos afirmarem possuir "evidências" de acampamentos de integrantes das FARCs e do Exército de Libertação Nacional (ELN) na Venezuela, acusando o país vizinho de tolerar a presença dos 1,5 mil guerrilheiros. Hugo Chávez classificou as acusações como "mentirosas" e declarou que são uma tentativa de legitimar uma futura invasão à Venezuela patrocinada pelos Estados Unidos. Logo após o pronunciamento, Nicolás Maduro, chanceler venezuelano, comunicou o fechamento da embaixada em Bogotá, e ordenou que os colombianos fizessem o mesmo em Caracas.
Chávez alertou que o rompimento de relações pode dificultar o diálogo com o futuro governo colombiano, já que Álvaro Uribe deixa o poder em 7 de agosto e será sucedido por Juan Manuel Santos. Antes da posse oficial, o ex-ministro de Defesa colombiano já acena com a diminuição das rugas entre os dois países, que já custaram mais de U$7 bilhões anuais de prejuízo a cada um deles. A crise também provocou redução de 0,5 ponto no PIB colombiano em 2009. Estima-se que tenha ocorrido a perda de cerca de 350 mil empregos em pequenas e médias empresas das regiões fronteiriças.
O fechamento de embaixadas infelizmente não é uma novidade nesta conturbada relação. Em 2008, uma operação do exército colombiano em solo do Equador matou Raúl Reyes, porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e outros 16 rebeldes. Hugo Chávez ordenou o fechamento da embaixada na Colômbia e pediu a mobilização de tanques na fronteira, alertando que operações semelhantes na Venezuela seriam consideradas "declarações de guerra".
O papel da OEA
A denúncia contra a Venezuela foi feita por Luis Alfonso Hoyos, embaixador da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA). A instituição tem sede em Washington e é o principal fórum de debates políticos, jurídicos e estratégicos para os 35 Estados independentes das Américas. Alguns analistas veem as críticas na OEA como um dos últimos passos antes de Álvaro Uribe levar o problema com a Venezuela até a Corte Criminal de Haia, o que certamente representaria uma declaração definitiva de rompimento entre as nações, transformando a fronteira em um barril de pólvora.
Além da Organização, os outros países sul-americanos já acenaram com esforços para resolver a crise. Néstor Kirchner, ex-presidente argentino e atualmente secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), anunciou encontros em agosto com Hugo Chávez e Álvaro Uribe. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deixou programado um encontro para o próximo dia 6 de agosto em Caracas, e os líderes de Paraguai e Uruguai também tentarão mediar o diálogo. O encontro da Unasul nos próximos dias deve marcar o início das tratativas de reaproximação.
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