Os acontecimentos mais recentes do Brasil e do mundo estão sempre presentes nas provas e redações dos vestibulares de todo o país. Para não ficar por fora, confira as matérias publicadas quinzenalmente nesta seção!
JOVENS RUSSOS DESPERTAM PARA A POLÍTICA. E NÓS, QUANDO VAMOS COMEÇAR?
Em meio a uma crise financeira sem fim, a Europa vê na Rússia o possível despertar de uma nova era. Após a primavera dos países árabes chegou a vez do Outono Russo. Vinte anos depois do fim da União Soviética, os jovens do país começam a se mobilizar em relação à política. No final de 2011, as denúncias de fraude nas eleições parlamentares fizeram com que milhares de pessoas invadissem as principais ruas das cidades russas para protestar, algo inadmissível na antiga União Soviética.
Como em boa parte dos movimentos populares pelo mundo, os jovens é que vêm liderando essa onda de mobilização política. É o despertar de uma categoria que, até então, só pensava em desfrutar dos benefícios do capitalismo. Roupas de grife, carros e eletrônicos estão deixando de ser o centro das atenções e das conversas para darem espaço as até então entediantes conversas sobre os rumos do país.
Esse despertar dos russos tem tudo para trazer consequências positivas para a ex-superpotência mundial. Dona de um solo rico em petróleo e com uma economia de peso, a Rússia sofre com as seguidas suspeitas de corrupção e o excesso de atuação da máfia local. Esses e outros problemas estruturais acabam prejudicando o Estado e afastando possíveis investidores estrangeiros, importantes para o desenvolvimento nacional.
E os investidores não são nem tão exigentes quando o assunto é credibilidade institucional. Mesmo sempre às voltas com escândalos de corrupção e com uma justiça lenta e nem tão justa, o Brasil tem sido, nos últimos anos, um dos principais portos do capital internacional. Tudo por causa de um mercado consumidor voraz, juros generosos e um ambiente institucional democrático e ligeiramente organizado, onde não acontecem mais apropriações, indevidas, pelo Estado, tão comuns no passado verde-amarelo e no presente de algumas repúblicas da América do Sul.
Internet e a apatia brasileira
Assim como na Primavera Árabe, a internet também vem sendo um importante vetor nessa nova fase democrática do gigante russo. Facebook, Twitter e outras ferramentas têm facilitado a reunião de milhares de jovens russos para comandarem os protestos. Nesse ponto, os russos dão um banho nos brasileiros que, mesmo mais acostumados à democracia, têm ficado apáticos diante dos mandos e desmandos de Brasília.
E olha que, quando o assunto é internet, o brasileiro é um dos maiores consumidores das novidades da Grande Rede, chegando a rivalizar com os norte-americanos. É só surgir uma nova febre na internet para ela rapidamente se alastrar no Brasil, como nos casos do Facebook, do Twitter e do Angry Birds. Mas quando o assunto é política, parece que os teclados travam, o sinal de conexão cai e o que se vê são movimentos esvaziados como os de setembro, quando levaram pouco mais de duas mil pessoas às ruas do Rio de Janeiro para protestar contra os tão comuns casos de corrupção nacional.
O mais incrível é que já se passaram quase 30 anos da libertação brasileira das amarras da ditadura militar. Alcançada a liberdade de expressão e de voto, o brasileiro desde então pouco fez para lutar por um país melhor. Nesse período, a única exceção foi o movimento Caras Pintadas, que terminou com a queda do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Muito pouco para um País que acorda todo dia com uma suspeita diferente de fraude, compra de votos, desvio de verbas ou mau uso da máquina do Estado.
Já está mais do que na hora de o brasileiro despertar para os problemas do País, não importa se no verão, no outono, na primavera ou mesmo no inverno. De nada adianta ser um gigante no Facebook ou no Twitter se não soubermos usar as ferramentas disponíveis de forma mais útil. Outubro logo logo estará chegando e, com ele, vem mais uma oportunidade de o povo fazer a diferença e deixar de lado aqueles que há anos emperram o desenvolvimento nacional. Será que em 2012 o mundo vai presenciar a Primavera Verde-Amarela?