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A relação entre Estados Unidos e China, as duas maiores potências mundiais, vem apresentando episódios de tensão nos últimos meses. Embora seja difícil acreditar em confronto, seja bélico ou econômico, entre os dois países, é notório que alguns episódios criaram desgastes entre os governantes.
O capítulo mais recente teve como protagonista o Dalai-Lama. A recepção ao líder tibetano foi mal vista pelos chineses, que controlam o Tibete desde 1959 e veem qualquer saudação ao líder exilado como uma interferência em questões internas. Os Estados Unidos são abertamente contrários à questão da ocupação e outros presidentes já haviam recebido o Dalai Lama em solo americano, mas desta vez o ocorrido mereceu inclusive manifestação contundente do Ministério das Relações Exteriores para condenar a visita.
No início do ano, dois outros fatos já haviam estremecido o diálogo entre os países envolvendo temas tabus: Taiwan e censura. O Estados Unidos anunciaram a venda de armas a Taiwan, incluindo mísseis, no valor de US$ 6,5 bilhões. A China obviamente se manifestou contrária à decisão, não só porque pode se tornar alvo dos armamentos em caso de uma improvável guerra como porque não reconhece a autonomia de Taiwan, ainda considerada uma província pelos líderes chineses. O problema ficou ainda maior porque nos últimos meses os líderes taiwaneses ensaiavam uma reaproximação com a China.
Em meados de janeiros, hackers chineses tentaram invadir contas de email do Google pertencentes a ativistas de direitos humanos do país e sites de companhias telefônicas e de internet. O ataque, classificado pelos americanos como “altamente sofisticado”, foi visto pelos chineses como uma tentativa de espionagem industrial e investigação política, embora o Governo chinês alegue que também teve alguns serviços invadidos. A partir daí o Google decidiu que não vai mais restringir links em suas buscas no país.
Vale lembrar que no início das operações na China, em 2006, a empresa concordou em bloquear de suas buscas temas polêmicos para os chineses, como a independência do Tibet e o massacre da Praça da Paz Celestial, entre outros. Hoje, o cenário é bem diferente: superado em preferência pelo Baidu, um concorrente local, o Google quer garantias de exigir um serviço sem filtros, ou ameaça deixar o país.
Apesar dos atritos, a hipótese de uma nova Guerra Fria contrapondo o Comunismo (China) ao Capitalismo (EUA), como ocorreu com russos x americanos, é remota. Isso porque, apesar dos ruídos, a relação vem se consolidando e a China não tem o objetivo de mudar o sistema político do restante do mundo, caso da antiga União Soviética. Além disso, a dependência entre os dois países é grande: os Estados Unidos têm na China o maior financiador de seu déficit, enquanto os americanos são os maiores parceiros comerciais dos chineses.
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