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Em novembro, faz dois anos que Barack Obama se tornou o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Político de muito carisma e grande orador, esse filho de um economista queniano com uma antropóloga norte-americana foi a resposta da população contra a desastrada administração Bush, a qual culminou em uma das maiores crises financeiras da história do País e do mundo.
Apesar de, para muitos, a chegada de Obama à presidência ter significado um grito de igualdade para os negros, essa questão ainda está longe de ser encerrada nos Estados Unidos. O “País das Oportunidades” ainda guarda no seu interior séculos de discriminação, que continuaram mesmo com o fim da escravidão há 145 anos.
Esses séculos de discriminação racial voltaram a mostrar a sua pior face justamente no momento em que a população norte-americana dava sinais de amadurecimento. Enquanto luta para tirar os Estados Unidos da crise, Obama tem sido alvo de ataques racistas dos mais diferentes lados. Até mesmo dos seus aliados políticos, como o líder do Senado, Harry Reid, que descreveu o presidente norte-americano como um “afro-americano da pele clara”.
A cor da pele de Barack Obama também foi motivo de comentários no mesmo estado em que ele despontou como político, Illinois. De pele branca, o ex-governador Rod Blagojevich disparou durante uma entrevista para a revista norte-americana Esquire: “Sou tão negro quanto Barack Obama. Eu engraxei sapato. Eu cresci em um apartamento de cinco cômodos. Meu pai tinha uma pequena lavanderia em um bairro negro não muito longe de onde morávamos".
Artilharia pesada entre os críticos
Essas lamentáveis referências à cor da pele de Barack Obama não têm partido apenas dos seus aliados. Na terra da Estátua da Liberdade, os críticos também têm se mostrado afiados, e racistas. Descontente com a reforma do sistema de saúde nos Estados Unidos, o neurocirurgião David McKalip enviou e-mails para os seus contatos com uma foto do presidente norte-americano vestido como um feiticeiro africano e a frase: “Seguro Obama: na clínica mais próxima de você".
Enquanto alguns como McKalip mostram arrependimento após serem repreendidos pela opinião pública, outros dão sinais claros de ainda viverem na mesma América que até a década de 60 não permitia que os negros votassem nos estados do Sul. Firme na sua convicção, o ativista Rusty DePass não voltou atrás nem mesmo quando usou a primeira-dama Michelle Obama para comentar a fuga de um gorila de um zoológico em Columbia: "Tenho certeza que este é um dos ancestrais de Michelle – provavelmente inofensivo”.
Tais comentários mostram que o resultado das urnas nos Estados Unidos ainda está longe de retratar a realidade das ruas norte-americanas. Na verdade, o bom convívio entre as diferentes raças nos Estados Unidos vai bem até o momento em que há divergência de opiniões, disparando os mais perversos sentimentos.
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