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Data: 22/06/2010 
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RONCO: NOITES DO BARULHO
Quais as soluções para o problema?

O volume pode ser alto — cerca de 80 decibéis — comparado ao volume médio da voz humana que é de 70 decibéis, mas o ronco não incomoda apenas a quem o ouve. Ele pode ser um problema isolado ou parte de uma doença mais séria e acarretar, doenças respiratórias, problemas cardíacos e hipertensão arterial. Em alguns casos é possível acabar com o ronco através de pequenas mudanças de hábitos, em outros, é necessário procurar um médico.

Segundo o otorrinolaringologista Pedro Paulo Ribeiro, o grande problema do ronco é a possibilidade de ocorrerem interrupções na respiração, que podem ter como consequência quadros mais graves de sobrecarga cardiopulmonar, sonolência durante o dia, baixo rendimento intelectual e no trabalho, cansaço e irritabilidade.

Mas existe uma diferença entre aquele barulhinho que todo mundo faz quando dorme e o ronco. “Existem pessoas que ressonam à noite, principalmente se estiverem deitadas de barriga para cima. O ronco caracteriza-se por grandes vibrações e ruído intenso e não apenas pelo ressonar. O grande roncador precisa ser estudado para avaliar a possibilidade de ter outra patologia associada”, explica o médico.

Causas do barulho

Quem convive com um “roncador” sabe quanto o barulho é incômodo. Cotoveladas e empurrões não resolvem. Em poucos minutos a pessoa volta a roncar. Ribeiro explica a causa: “No sono, a musculatura relaxa, estreitando a garganta e causando resistência para a passagem do ar. É como um tubo que se estreita e pelo qual o ar tenha que passar para ser expirado. O ronco é o efeito dessa vibração causada por esse estreitamento”, diz.

Alguns fatores contribuem para o aparecimento do ronco: amídalas e adenóides muito grandes, tumores, desvio de septo, pólipos nasais, etc. O problema também pode ser causado por doenças que provocam a obstrução crônica do nariz e obrigam a pessoa a respirar pela boca, como a rinite.

Excesso de peso, refeições pesadas à noite, dormir de barriga para cima, fumo, álcool são as principais causas do ronco. “O álcool, por exemplo, tem a propriedade de relaxar o músculo da faringe. Medicamentos à base de diazepínicos também relaxam a musculatura. Daí, o paciente vai ao médico que lhe prescreve um desses medicamentos para que durma melhor e o quadro se agrava porque a faringe já relaxa naturalmente à noite”, diz o médico.

De acordo com o otorrino, o ronco é mais comum em homens a partir dos 40 anos e nas mulheres que engordam depois da menopausa. Devido à perda do tônus muscular que faz parte do processo normal de envelhecimento, idosos também costumam roncar. Entre as causas do ronco, o médico destaca ainda as doenças infecciosas, como tuberculose, hanseníase e sífilis e o funcionamento deficiente da glândula tireóide.

Alerta para apnéia

O médico alerta que roncar também é sintoma de apneia obstrutiva do sono, uma doença progressiva e fatal que pode causar problemas cardiovasculares graves. “Apneia é a parada de respiração, quando o paciente pode ficar até dois minutos sem respirar”, diz Ribeiro. Durante o sono, um pequeno número de apneias pode aparecer em indivíduos normais. Quando ocorrem com frequência maior que cinco apnéias por hora, ou 30 por noite, já é considerado anormal.

Em cada apneia, a garganta se fecha interrompendo a passagem do ar. Porém, o músculo diafragma não interrompe a sua movimentação e a pessoa fica tentando respirar até que começa a ficar sensível à falta de oxigênio. O paciente pode desconfiar que possui a doença quando o ronco é alto e tem sonolência excessiva durante o dia. O tratamento das apneias do sono varia conforme o caso. Pode-se usar medicamentos, aparelhos e até cirurgias.

Mudança de hábito

Adotar uma dieta saudável rica em frutas, legumes e verduras e praticar exercícios são as primeiras medidas para combater o ronco.

Essas duas recomendações valem para a maioria das doenças, mas no caso do ronco, é fundamental que sejam cumpridas. Alimentos de difícil ingestão como frituras devem ser cortados do cardápio à noite. Os exercícios devem ser feitos, se possível na parte da manhã ou quatro horas antes de dormir”, explica Ribeiro.

Dormir de lado, de preferência, com a cabeceira da cama um pouco levantada pode ajudar muito a reverter o ronco. “Também é importante evitar bebidas alcoólicas e o uso indiscriminado de diazepínicos que relaxam a faringe. Pacientes com refluxo gastroesofágico devem procurar um gastroenterologista, porque o refluxo pode agir sobre o ronco”, orienta o médico.

Hora de procurar o médico

Segundo o otorrrino, muitas vezes quem procura tratamento é a pessoa que dorme com o roncador. O problema acaba sendo um verdadeiro transtorno para a família toda. “Quem ronca, geralmente não percebe. A hora de procurar o médico é quando a família começa a reclamar ou quando o próprio roncador acorda à noite por causa do barulho. Além da sonolência, o paciente,  que acorda muitas vezes por causa do ronco, apresenta déficit cognitivo, memória e concentração comprometidas, impaciência e irritabilidade”, explica.

É o especialista que vai avaliar a situação e indicar o melhor tratamento. “Há situações em que uma pequena cirurgia ou cauterização pode resolver um problema de obstrução nasal como um pólipo, por exemplo”, diz Ribeiro. Adultos obesos devem perder peso e consultar um endocrinologista sobre a possibilidade de algum problema hormonal ou de tireóide estar interferindo.

Tratamentos

Na abordagem inicial, levanta-se a história do paciente. Vale sempre a pena ter por perto uma testemunha, geralmente a esposa ou um filho para descrever o problema. Depois, parte-se para um exame físico cuidadoso. Muitos têm a mandíbula posicionada um pouco para trás; outros, o nariz obstruído ou semi-obstruído o que provoca dificuldade respiratória nasal plena durante a noite e eles respiram pela boca. Dependendo da causa, o médico vai indicá-lo para outro especialista ou simplesmente o ajuste de alguns hábitos.

Se o problema for mais grave e diagnosticado como apnéia, o tratamento é diferente. O diagnóstico é multidisciplinar, demanda a intervenção de vários profissionais, como otorrinos, neurologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço. Para casos mais graves, a alternativa é usar uma máscara ligada a um respirador mecânico que bombeia ar nas vias aéreas superiores.

 



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Veja os comentários

valeu muito a pena ler essa reportagem sobre o ronco, vou procurar um especialista. obrigado
paulo jorge diogenes

gostei muinto desse assunto porque descobri o que devo fazer para parar de rocar.obrigado
maria adelma silveira

Tenho hipertrofia dos cornetos causados por reniti alérgica, me causando ronco, apnéia(constatados numa Polissonografia). Uma microcirugia resolveria? Onde posso fazer?
kleber

   
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