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QUEM NÃO TEME A DOR?

Quando o medo vira fobia

Entramos em contato com a dor física quando criança e dela registramos uma lembrança ruim, que procuramos evitar a todo custo. “Por que sofrer?”, costumamos nos perguntar, se temos o recurso dos analgésicos cada vez mais variados, potentes e fáceis de comprar? Ter no bolso uma cartela de “doril”, “tylenol”, “AAS” e tantos nomes mais, é sempre útil para nos “salvar” de qualquer ameaça de dor, malestar, etc.

Os analgésicos deveriam ser usados raramente ou em situações específicas, recomendadas pelo médico, mas o medo da dor, e a facilidade de se obter essa medicação, nos faz esquecer uma regra importante: a dor é um sinal de alerta do organismo. Camuflar esse sinal continuamente pode nos levar a um problema maior.

A dor que não passa

O medo da dor é uma das fobias que mais crescem no mundo, avançando no ranking de outros medos como o de voar, de dirigir, de altura ou de ser enterrado vivo. A algofobia (medo da dor) cria um ciclo vicioso entre a depressão e a automedicação.

O medo da dor gera ainda um ciclo de evitação, deixando o paciente extremamente atento a qualquer sintoma e fazendo com que evite toda atividade que considere causadora de dor. Forma-se, então, um quadro patológico: quanto mais atenção se presta ao problema mais incapacitada a pessoa fica.

Se o paciente optar pela automedicação, as possibilidades de efeitos colaterais aumentam. O quadro de fobia se agrava quando os analgésicos deixam de aliviar a ansiedade e os médicos não conseguem detectar a origem da dor.
 
Mas o medo da dor também pode estar ligado à dor crônica, que afeta a mais de 50 milhões de pessoas no Brasil. Uma enfermidade pode causar dor aguda, mas há enfermidades que vão embora e deixam uma dor crônica. Enquanto a dor aguda é um sintoma da doença, a dor crônica se torna a própria doença. Especialistas explicam que episódios contínuos de dor deixam uma espécie de “rastro na memória” sempre ativado a cada incidência de dor, potencializando a sensação e aumentando o medo.

Dói mesmo ou é exagero?

Não dá para avaliar o sofrimento de cada um pois não existe um parâmetro coletivo para dor que possa ser detectado por algum “dorímetro”. Cada pessoa tem a sua própria escala, assim, uma dor média para uns pode ser extrema para outros, devido também aos componentes emocionais associados, entre eles, o próprio medo da dor. Os depressivos, por exemplo, são mais sujeitos a queixas de dor, indicando um sofrimento maior. 

Devido a tantas interferências é que a Medicina tem se especializado para cuidar da dor. Além de médicos especialistas no assunto, existem clínicas e centros de tratamentos com equipes multidisciplinares que se dedicam a tratar da dor, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Como curar o medo da dor

Esse medo pode ser resolvido com tratamentos combinados, que incluem psicoterapia e antidepressivos que atuam no transtorno e têm efeito analgésico.  Mas o paciente de dor crônica precisa estar comprometido com todas as formas de tratamento indicadas, que podem envolver, além do seu médico, a fisioterapia, a acupuntura, a psicoterapia, etc

No Congresso Interdisciplinar de Dor, ocorrido este ano em São Paulo, a pesquisadora Herta Flor, do Departamento de Neurociência Clínica e Cognitiva da Universidade de Ruprecht Karls, na Alemanha, apresentou um estudo sobre o “tratamento de extinção da dor”, que trouxe melhorias em 60% dos casos de dor crônica. O método envolve uma série de exercícios com o objetivo de bloquear aspectos relacionados à dor, desativando as áreas cerebrais que potencializam a sensação.

Felizmente os especialistas garantem que toda dor, seja ela aguda ou crônica, tem tratamento ou, pelo menos, tem como ser aliviada. 

Para saber mais:

Endereços de atendimentos à dor fornecidos no site da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor – SBED

 

 



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