EMOÇÕES E ENFERMIDADES
Uma relação muito íntima Os hindus dizem que o corpo é como o envelope para a psique. Assim, quanto mais saudável o corpo, melhores são as condições para a psique se expressar e vice-versa. Estudos sobre a íntima relação entre corpo e mente ressurgem, evidenciando que as doenças podem ter múltiplas causas, entre elas aspectos genéticos e circunstâncias emocionais que podem gerar males a curto ou longo prazo. Conversamos sobre o assunto com a psicóloga Denise Ramos, autora de A psique do corpo (Ed. Sumus) e coordenadora da pós-graduação em psicologia clínica da PUC/SP. No seu livro, ela fala das descobertas que a ciência vem fazendo sobre as relações entre emoções e enfermidades, apesar da grande dificuldade para demonstrar os mecanismos responsáveis pela interação entre os sentimentos e as alterações fisiológicas que levam às doenças. Há estudos, por exemplo, mostrando que a depressão profunda afeta o desempenho do sistema imunológico. Em situações de extremo estresse, células de defesa têm sua produção diminuída, facilitando infecções ou o desenvolvimento de um tumor maligno a longo prazo. Veja, abaixo, as explicações da professora Denise Ramos. Relação entre doença e emoção Corpo e psique são uma unidade indissolúvel e tudo que acontece no corpo tem uma repercussão na mente e vice-versa. Um trauma, um acidente, pode chocar uma pessoa e levar a uma alteração no estado psíquico e físico ao mesmo tempo, provocando, por exemplo, alterações cardiovasculares ou no sistema imunológico. Quantas vezes, apesar de todos estarem resfriados não ficamos doentes, porque estamos alegres e felizes? Ou ao contrário, uma grande contrariedade transforma um resfriado numa pneumonia? O corpo responde imediatamente a todas as emoções, pensamentos e sentimentos, com alterações hormonais e metabólicas, alterando, por exemplo, a pressão arterial, a qual com o tempo pode levar a um enfarte do miocárdio. Uma pessoa com grande tendência a depressão pode ter também uma depressão no seu sistema imunológica e com isso diminuir a produção de células NK (natural Killers) que fazem a varredura do nosso sistema, matando as células malignas. Pessoas que passam por um longo e difícil período de depressão, portanto, têm maior probabilidade de desenvolver câncer. Pessoas extremamente hostis e irritadiças também têm maior chance de desenvolver uma doença cardiovascular, por ter maior pressão arterial. Comportamentos habituais podem predispor ao risco Não há uma relação entre traços de personalidade e doenças orgânicas. Não é um traço de personalidade que determina a maior ou menor propensão a uma doença e sim, certos comportamentos mais habituais que podem levar a um maior desgaste do organismo, e com o tempo gerar determinadas doenças. Tenho muitos doentes cardíacos. Alguns são executivos, fazem check-up e mantêm-se em forma, mas de repente adoecem. Como aconteceu? Um deles tinha a convicção de que enfartara em razão de uma crise de pressão alta e nada mais. Até que comprou um medidor para monitorar a pressão e descobriu que ela subia toda vez que ia a uma determinada reunião. A maquininha provou a ele que a psique existe e reage. E que havia uma enorme pressão externa que se transformava em pressão interna. O que fazer para mudar fatores psicológicos de risco O melhor é sempre a prevenção. Situações de estresse repetidas, estados emocionais alterados, com o tempo ocasionarão invariavelmente uma alteração fisiológica. Se você não conseguir se manter equilibrado, o melhor é pedir ajuda, ir a um centro de meditação ou procurar ajuda profissional de psicólogos ou psiquiatras. Há provas de que pessoas que fazem psicoterapia têm uma sobrevida de cerca de 2 anos. Também sabemos que estados emocionais positivos afetam a evolução da doença, muitas vezes, estacionando-a ou melhorando a qualidade de vida do paciente. A ciência tem feito grandes descobertas quanto ao fenômeno psique-corpo e em breve saberemos melhor como lidar com nossas emoções de modo a não entrarmos em desequilíbrios que afetem o nosso corpo e mente. OBS: A Profa. Dra. Denise Gimenez Ramos é Coordenadora do programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUCSP e autora do livro “A Psique do Corpo” (Editora Summus/2005)
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