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 HOME Educa » FAMÍLIA » NÃO MORRA PELA BOCA 


Não Morra pela Boca
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Data: 24/08/2008 
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PROPAGANDA E ALIMENTAÇÃO
Uma relação nem sempre saudável

A vida moderna, mais corrida, leva naturalmente à procura de meios que facilitem o dia-a-dia. Nesse cenário, a alimentação acaba sendo um dos itens mais negligenciados. O almoço rápido em um fast-food, ou a substituição de refeições por  pequenos prazeres  que ficam disponíveis nas gavetas e armários do trabalho são hábitos freqüentemente adotados.

Em casa, os refrigerantes e sucos artificiais tomaram o lugar das frutas e da água natural e a comida semi-pronta, industrializada, ganhou papel importante no cotidiano das famílias. Mas essa dieta alimentar tem contribuído para o aumento das doenças do coração, diabetes, pressão alta e precisa ser reavaliada pelo consumidor.
 
Segundo os resultados de um estudo realizado na Universidade de Brasília – UnB,  pelo Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição,  72% dos anúncios de alimentos veiculados entre os meses de agosto de 2006 e 2007 estimulavam o consumo de fast-food, guloseimas, sorvetes, refrigerantes e sucos artificiais, salgadinhos de pacote e biscoitos doces ou bolos industrializados.

A pesquisa selecionou dois canais abertos de televisão (SBT e Globo) e dois pagos, voltados para o público infantil (Discovery Kids e Cartoon Network), monitorando um total de 4.108 horas de propaganda, e coletou, ainda, 18.689 anúncios em revistas, concluindo que os alimentos divulgados eram ricos em gordura, açúcar ou sal.

Cerca de 44% das propagandas tinham como público-alvo as crianças, que, por terem menos discernimento, ficam mais vulneráveis aos apelos dos anúncios e acabam exercendo pressão para que os produtos anunciados sejam incluídos nas compras familiares. 

A propaganda, não há dúvida, influi no dia-a-dia das pessoas, inclusive nos seus hábitos alimentares.  O número de crianças e adolescentes com sobrepeso, segundo o IBGE, teve um aumento significativo nas últimas três décadas. No caso dos meninos, a obesidade mais que quadruplicou.

Ao mesmo tempo, doenças como diabetes, obesidade e infarto passaram a ser responsáveis por quase 50% das mortes no Brasil e representam atualmente, segundo o Ministério da Saúde, 69% dos gastos do SUS. É preciso, portanto, questionar sobre o que vem acontecendo com a dieta dos brasileiros.

A intervenção do governo

A exemplo do que acontece em outros países, o Ministério da Saúde pretende, até o fim do ano, adotar várias regras para restringir e regular a publicidade de alimentos no Brasil. As restrições devem ser ainda mais duras em relação à propaganda de alimentos gordurosos, com excesso de açúcar e de sal, dirigida às crianças. A intenção  é reduzir o crescimento de doenças ligadas à obesidade e sobrepeso, contribuindo para uma melhor educação alimentar.

As propostas vão desde limitar o horário de veiculação no rádio e na TV à proibição  de propagandas com uso de personagens infantis. Os produtos industrializados devem também trazer alertas quando tiverem taxas elevadas de gordura saturada, sal ou açúcar, recomendando consumo moderado. A advertência visa chamar a atenção de grande parte dos consumidores que não se detém ou não consegue interpretar as informações escritas nas embalagens.

De 73 países estudados pela Organização Mundial da Saúde- OMS, 85% já regulamentam a publicidade de alimentos. A regulamentação pode servir de incentivo para que as empresas pesquisem e produzam alimentos mais saudáveis.

A classe publicitária, no entanto, já se insurge por se ver prejudicada e interpreta a medida como uma forma do governo tutelar a vida das pessoas, como se elas fossem incapazes de decidir o que é melhor consumir.

Na verdade, o governo não se propõe a decidir o que as pessoas vão comer, mas cumpre seu papel de criar mecanismos para proteger os mais indefesos, que são as crianças, da indução natural da propaganda sobre produtos que notoriamente prejudicam a saúde. Para os adultos, as medidas em discussão visam alertar (não impedir!) sobre a presença de gorduras trans ou níveis excessivos do consumo do sal ou açúcar.  

Mas, no Brasil, o verbo “regular” soa como “infringir direitos” e sempre causa polêmica mesmo...



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