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UM AMIGO PARA TIMID TIMMY
Quem não gosta de companhia?

Timmy é uma tartaruga macho, deixada no santuário Tortoise Gardens (no sul da Inglaterra) pelos seus donos que, após 20 anos de convivência, se mudaram para Nova Zelândia. Timmy teve sérios problemas de relacionamento no seu novo habitat.

Mal chegou ao santuário, Timid Timmy (Tímido Timmy) - como começou a ser chamado pelos novos cuidadores - foi rejeitado pelos vizinhos de sua espécie. O santuário abriga e cuida de cerca de 450 tartarugas que chegam lá abandonadas, feridas ou importadas ilegalmente. É, portanto, uma grande população para não se achar um amigo!

Certamente a timidez, mal-humor, saudades de sua casa e tristeza profunda não tenham ajudado Timmy a angariar a simpatia das demais tartarugas. Deve ter bichinho fofocando que esse “cara” é metido a besta e pensa que é gente! Tudo é possível mesmo, afinal o hábito de conviver só com humanos pode ter confundido a cabeça de Timmy e atrapalhado sua socialização.

Preocupada com a falta de popularidade e o isolamento, que pode adoecer até uma tartaruga, a dona do santuário providenciou uma companheira de brinquedo para ele. Isso mesmo, uma tartaruga de plástico! E Timmy está simplesmente encantado!!! Deixou a timidez de lado e agora a dupla é inseparável, ou melhor, Timmy não quer ficar mais sozinho.

Segundo contou a proprietária do santuário para o jornal britânico The Guardian, “Timmy beija Tanya (apelido da tartaruga de plástico), brinca com ela, coloca alface perto para que ela  possa se alimentar e não dorme enquanto não colocam sua companheira no viveiro primeiro”. Um fofo de tanto carinho e atenção!

Tal como os humanos

Timmy tem razão, é muito bom ter amigos para dividir segredos, rir e fazer coisas juntos. Ninguém precisa de companhia o tempo todo, pois é muito legal também ficar um pouco sozinho (falo dos humanos, agora!) para ler, ver filme, estudar e até olhar pro tempo e pensar na vida.

Se os animais carecem de companhia, imagina os humanos que têm o dom de se comunicar, pensar, elaborar e expressar idéias e afetos. Mas, apesar de desejarmos tanto uma companhia, muitas vezes afastamos as pessoas com a nossa agressividade, mau-humor, imposições, egoísmo, solidão, timidez ou medo. Os motivos podem ser muitos e parece que, como Timmy, quanto mais se deseja um amigo mais difícil fica conquistar um. Às vezes, é preciso alguém ser mais generoso para romper esse ciclo.

De outro lado, também, tem os que rejeitam as pessoas, que ainda nem conhecem, só porque são diferentes de alguma forma, na cor, no modo de vestir, de falar, de morar ou de se comportar. É muito comum acontecer com alunos, que vêm de outros bairros, cidades ou país, encontrarem nos colegas de escola barreiras desse tipo simplesmente porque diferem da “turma”.

Mas o pior mesmo é quando as pessoas se juntam, e por se sentir mais fortes, humilham, desprezam e desqualificam alguém. Aliás, isso tem nome, se chama “bulling”. Além de ser desprezível, esse comportamento pode ser qualificado de criminoso, quando traz prejuízos físicos, psicológicos ou morais à vítima.

Afinal, se os homens são mais inteligentes que as outras espécies, por que não se comportam melhor?



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