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O dia-a-dia em casa com os pais e os irmãos não é uma tarefa fácil. Mais difícil parece quando os pais se separam, casam novamente e você ganha novos irmãos. A princípio, ter pessoas estranhas em casa assusta, mas com o passar do tempo o relacionamento se torna cheio de carinho. A economista Adriana Rosal passou por essa situação quando tinha quatorze anos. Seu pai se casou novamente e Adriana ganhou de imediato uma irmã de quatro anos, Giselle, fruto do primeiro casamento da madrasta. Mesmo com a grande diferença de idade, as duas sempre foram amigas. Algum tempo depois do segundo casamento, vieram mais dois meninos. Hoje, Adriana tem três irmãos e é louca por eles. “Algumas pessoas falam que eu e Giselle nos parecemos. Quando ela era pequena, eu a adotei. Eu era bem mais velha e adorava cuidar dela. A gente nem brigava. Morei com eles apenas dois anos e meio porque logo fui fazer faculdade e morar sozinha. A experiência foi muito boa”, conta. Bagunça em casa Correr pela casa, jogar bolinhas de papel em quem andava pela rua e passar trotes pelo telefone eram os passatempos prediletos de Letícia Silveira, de seu irmão Wilson, e seus irmãos “emprestados” Mariana e Danilo. A mãe de Letícia e Wilson, Eliana, casou-se com Gustavo, pai de Mariana e Danilo. Quando todos foram morar juntos, a jovem tinha 8 anos e as lembranças que vêm à mente quando fala do passado são as brincadeiras pela casa. “Minha mãe ficava louca. Ela queria arrumar a casa, deixar os objetos no lugar e a gente bagunçava tudo. Era muito divertido e a casa estava sempre cheia. Às vezes eu e Mariana resolvíamos brincar de lutar com os meninos e era uma farra. Não me lembro de brigas e queixas de ciúmes”, conta. Para Letícia, todos são seus irmãos. Para melhorar ainda mais a união dela com Danilo, o jovem está namorando uma de suas amigas. “Como temos pouca diferença de idade, saímos juntos e nossa turma é a mesma. É o maior barato”, conta. Ciúme virou amor Felipe Medeiros ganhou a irmã Cristiane com o casamento de sua mãe Angélica com Carlos Eduardo. Quando foram morar juntos, Cristiane tinha sete e ele quatro. Da época ele pouco se lembra, pois era muito pequeno, mas a mãe conta que Cristiane tinha muitos ciúmes dele porque se tornou o caçula da casa. “Minha mãe lembra que ela toda hora puxava meu cabelo e queria fazer tudo o que eu fazia. Na época minha mãe tentou conversar com Cristiane porque sabia que a situação era nova e difícil para a minha irmã. Hoje somos ótimos amigos e ela continua tendo ciúmes de mim, só que das namoradas. Não gosta quando elas pisam na bola comigo e a gente se dá bem”, diz. Lucas Lara e Julia Rocha vão mais além. Além de se adotarem como irmãos muito rapidamente desde que seus pais se casaram, ambos já no segundo casamento, eles são amigos e cúmplices nas armações. “Um nunca dedura o outro, posso contar com ele sempre e vice-versa. Nem meu pai, nem minha madrasta, jamais nos disseram que teríamos que ser amigos, nossa amizade aconteceu de uma forma espontânea”, diz a jovem. “A casa seria muito chata sem ela hoje”, completa o “irmão”, que busca na irmã sua fonte de informação para saber como chegar nas meninas já que ela é mais velha. Mas no final, o segredo para que as novas modalidades de famílias com irmãos emprestados dêem certo, além de uma certa dose de “química” entre eles, é: um pouco de boa vontade da parte de todos, muita paciência para se adaptar ao novo, e um esforço conjunto para se formar verdadeiramente uma nova família. Que pode ser muito legal, segundo a maioria dos entrevistados.
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