PROCRASTINAÇÃO? VAMOS FALAR DISSO DEPOIS?
Adiar decisões ou deixar algo para depois é muito comum. E quem faz disso um hábito acaba procrastinando as tarefas. Achou complicado? Mas não é, essa palavra estranha aos ouvidos de muita gente nada mais é do que transferir para um outro dia algo que precisa ser feito. O famoso provérbio “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” resume bem a atitude do procrastinador. O ato de adiar tarefas é tão comum que já virou objeto de estudo de um grupo de pesquisa da Universidade Carleton, no Canadá, e é tema de alguns livros já lançados. Todas as pessoas procrastinam, o que varia é a freqüência com que fazem isso. Adiar situações ou decisões na vida é normal. Todo mundo passa por períodos de insegurança e reflexão em que demora a criar coragem para fazer as coisas. “Isso acontece porque a pessoa não quer entrar em contato com o enfrentamento. Ela faz de conta que não tem que realizar tarefas e essa sensação lhe dá um tipo de conforto. Não entrar em contato com o real, a princípio, proporciona prazer”, afirma a psiquiatra Maria Raquel Fernandes. Adiar tarefas é prolongar a ilusão A profissional explica que estipular prioridades na vida é diferente de procrastinar. “Uma pessoa pode adiar a execução de uma tarefa porque tem algo importante para ser feito antes. Uma decisão pode ser tomada antes de outra pelo mesmo motivo. Mas o procrastinador faz ao contrário, ele não traça prioridades, ele “empurra com a barriga” suas tarefas”, diz Maria Raquel. Mais do que uma questão de não administrar bem o tempo, o ato de procrastinar faz a pessoa viver a ilusão de que adiando, tudo será solucionado como num passe de mágica. Isso acontece porque a pessoa não quer entrar em contato com o que menos gosta, pois isso lhe causa um certo desconforto. O procrastinador tem a característica de não assumir seu medo e criar justificativas para não fazer determinada “coisa” naquele momento. “Ele inventa desculpas e deixa de lado o que tem que fazer, mas na verdade não quer entrar em contato com o que lhe causa mal-estar”, resume a psiquiatra. “Empurrar com a barriga” não ajuda Esse adiamento pode proporcionar um alívio temporário, uma sensação de tranqüilidade, porque a pessoa acredita que tudo vai dar certo no final. O problema começa quando isso vira um fator constante na vida e começa a gerar sensações ruins. “A pessoa que fica muito angustiada, com medo, com uma sensação de peso sobre os ombros, precisa de ajuda. Essas características podem apontar sintomas de algum outro problema que esteja sendo mascarado”, diz Maria Raquel. As conseqüências que esse hábito traz podem ser grandes. De início a pessoa começa a se atrasar para compromissos e depois acaba tendo a saúde afetada. O procrastinador crônico adia diariamente, várias vezes e com o tempo. Segundo a psiquiatra, o atendimento psicoterápico é muito eficiente. “Vale a pena a pessoa procurar um profissional até para ter uma avaliação do problema. Muitos casos são resolvidos sem o uso de remédios, apenas com análise”, explica Maria Raquel. Dicas - Tente perceber as atitudes que você costuma adotar quando adia alguma tarefa. Reflita sobre elas. É importante faze-la? Por que estou adiando? Identificar esses pontos ajuda a organizar-se melhor. - Não fuja das situações do seu cotidiano, enfrente-as. Não tente criar ilusões ou expectativas falsas, encare a realidade. - Organize sua agenda para que consiga cumprir tudo o que deve dentro do prazo. Se precisar, priorize alguns pontos, mas não os adie e nem deixe nada de lado. - Experimente não ficar muito tempo pensando em uma tarefa. Em vez de pensar, tente fazer. Isso o fará se sentir muito melhor. - Se perceber que não consegue realizar a tarefa por falta de conhecimento, peça ajuda. Entenda como o trabalho deve ser feito para, em seguida, executa-lo. - Se esse sentimento de adiar decisões, projetos, trabalhos, etc está atrapalhando sua vida de alguma maneira, procure ajuda psicológica. Essa sensação pode ser causada por algum outro problema que você não consegue identificar sozinho. Não tenha vergonha. Indicação de leitura: -Procrastinação: por que adiamos as decisões?, Jane Burka e Eleonora Yven. Editora Nobel
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