CONVIVÊNCIA DIÁRIA
O início é marcado pela alegria intensa, a vontade de ficar junto é quase incontrolável e as juras de amor eterno são frequentes. Flores, presentes e mimos variados tentam expressar toda o prazer de estar ao lado da pessoa amada, em muitos casos alguém apenas idealizado mas que acabou tornando-se real. O relacionamento evolui e amadurece, os projetos ficam mais sérios e logo aparecem os planos que envolvem casamento ou morar junto. A partir daí a relação pode chegar a uma bifurcação: para um lado, o aumento do amor, do companheirismo e a renovação do sentimento inicial: estar feliz ao lado, junto ao outro. O caminho oposto leva ao desgaste, à entrega frente às dificuldades e cedo ou tarde o casal acaba sucumbindo ao inevitável: o amor chegou ao fim. Como gerenciar a relação, se já é mais do que sabido que a convivência e a rotina andam à espreita, prontas para passar uma rasteira na animação e apagar a chama dos dois? Casais mais antigos, juntos há bastante tempo, são vistos com uma mistura de admiração e incredulidade. Em tempos de ficadas e sexo rápido, é realmente difícil crer que alguém possa dedicar um período de sua vida à companhia de apenas uma pessoa. Nunca foi tão fácil conhecer pessoas diferentes e a relação entre homens e mulheres também não esteve tão equilibrada em nenhum momento de nossa história. Justamente por isso, estar ao lado de quem se ama é puramente uma questão de escolha, de opção. Ninguém mais se mantém casado (ou “juntado”, morando junto, ou qualquer outro adjetivo semelhante) por obrigação ou para manter as aparências, como no passado. Assim, a convivência deve ser saudável e prazerosa para ambos. Não é fácil, a tarefa exige dedicação permanente, mas os resultados são sensacionais! Rotina: cuidado com ela! Os dois chegam em casa, se cumprimentam, jantam e comentam sobre o dia e depois cada um segue para seu canto. Ela para o sofá, lendo um livro, ou ele para o quarto, assistindo a programas na televisão. Esta aparente harmonia pode se tornar uma bomba-relógio, já que a rotina vai se estabelecendo aos poucos, em pequenas atitudes. Uma boa dica, bastante prática, é retirar a TV do quarto do casal. Parece besteira, mas o aparelho reduz o diálogo entre os dois, resumindo a conversa à disputa pelo controle remoto. Além disso, os gols da rodada não são nada agradáveis para um momento um pouco mais romântico.... Inverter a data dos programas também é uma idéia válida: se o consenso geral recomenda pizza aos domingos, por que não pedi-la numa terça-feira, por exemplo? Além de colorir esta noite pra lá de modorrenta, pode-se aproveitar para curtir o fim de semana com um filme em casa, com pipoca e sem aborrecimentos em shoppings lotados. Além disso, a economia é certa em programas fora de sábado ou domingo. Quebrar a rotina é uma atitude relativamente fácil, mas que acaba esbarrando em desculpas como a falta de tempo, o cansaço ou a indisposição. O casal acaba reservando apenas dois dias exclusivos para os dois, geralmente preenchidos com outras tarefas, não cumpridas durante a semana. E em uma grande parcela dos casos, só se percebe o estrago quando ele é irrecuperável. “Detalhes tão pequenos de nós dois”... Uma das grandes alegrias da vida a dois é a cumplicidade. Aquele ponto onde o outro sabe sua vontade com apenas um olhar. Casais assim têm histórias juntos, sabem se divertir sozinhos e relembrar momentos passados é justamente um dos combustíveis desta alegria. Planejar murais com fotos, quadros, reler ou escrever diários de viagem, preparar um presente personalizado... Nenhuma destas ações garante a convivência harmoniosa ou mantém casamentos, mas certamente serve para quebrar a rotina e tornar mais divertido o dia-a-dia. Acabar com velhos hábitos, oxigenando o cotidiano e mantendo a relação interessante deve ser uma tarefa das duas partes. A recompensa será desfrutada pelo casal e por quem estiver a seu redor...
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