Educa


Busca com a palavra exata
Área de login
 
Esqueceu sua senha?
Assine Agora!
Professor web
Escolha a matéria e faça a sua pergunta:
Escolha uma Profissão
Informe-se
Prepare-se
Aula Online
Banco de Imagens
Cálculos
Cantando História
Cartazes Temáticos
Educação Infantil
Especiais
Estudo Interativo
Ferramentas
Filosofando
Hora do Recreio
Jogos Educacionais
Laboratório Virtual
Literatura
Mapa de Conteúdos
Ortografia
Pesquisa Escolar
Sociologia
Tirando de Letra
Aprenda Sozinho
Colunistas
Conhecendo seus Filhos
Acontece
Convivendo com a Diferença
Desvendamos Mistérios
Dia-a-Dia
Finanças Pessoais
Leitura Dinâmica
Meninos e Meninas
Nunca é Tarde para Aprender
Pais, Filhos e Netos
Papo Sério
Que Dia é Hoje
Saúde e Bem Estar
Fale conosco
Assine Agora! Twitter

 HOME Educa » FAMÍLIA » CONVIVENDO COM A DIFERENÇA 


Convivendo com a Diferença
rss
Data: 28/12/2009 
compartilhe em: Twitter Facebook Windows Live del.icio.us Digg StumbleUpon Google  recomende!
   Últimos textos
publicados
 

Campanha HIV Free

O uso da burca mexe com a Europa

Copa do Mundo

Sobre homens e albatrozes

Educação Inclusiva: a teoria e uma prática

Transexual no Governo Obama

TRABALHO INFANTIL DOMÉSTICO

É preciso conscientizar para erradicar

“Precisa-se de uma moça de 12 a 17 anos, com referência, que durma no emprego, que não esteja estudando, com folga quinzenal e que goste de criança”.

Este é um dos classificados que compõe a coletânea do falecido juiz da Infância e da Juventude de Belém do Pará, Paulo Frota, que se empenhou em denunciar esta velha prática brasileira que tem sua origem na história e economia da nossa sociedade. 

Relativamente recente, o anúncio, datado de 1999, é apenas um exemplo de tantos outros publicados em jornais de grande circulação, nas várias cidades brasileiras de norte a sul do país. Junto a outras exigências como “ser limpa”, “não ter vícios” e algumas bizarrices, que chegam a determinar peso e altura máximos da candidata, é comum a condição de que a pretendente ao emprego doméstico “não estude’’.

Segundo a economista e consultora América Ungaretti, que trabalhou muitos anos para o Unicef  “a aceitação cultural desse tipo de exploração é fruto, em parte, de nossa herança escravocrata que faz com que as famílias não vejam tal procedimento como uma violação dos direitos da criança e do adolescente”.

A situação de trabalho infantil doméstico, apesar de ser antiga, era até pouco tempo ignorada pela sociedade em geral, pelas famílias das crianças, pelos empregadores e pelo poder público. “Utilizar crianças no trabalho doméstico é encarado de forma tão natural que os patrões  frisam nos anúncios a condição ilegal da candidata: não estudar - uma postura que cerceia o exercício do direito fundamental à educação”.

Uma dura realidade

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, os trabalhadores domésticos infantis vivenciam riscos como  falta de registro em carteira, salário inferior ao mínimo legal, falta de descanso semanal, trabalho noturno, contato com pessoas portadoras de doenças infecto-contagiosas, abuso sexual, risco de ferimentos causados por animais domésticos, movimentos repetitivos e manuseio de objetos cortantes, entre outros.

Ungaretti ressalta que a causa do envolvimento de crianças e adolescentes no trabalho infantil doméstico deriva de um conjunto de relações desiguais que determina um círculo vicioso de miséria, onde se perpetuam  o limitado acesso à educação, a situação de pobreza crônica das famílias excluídas do sistema social e econômico e o ingresso precoce no mundo do trabalho.

 “A ideologia do trabalho infantil doméstico mescla valores aceitos como solidariedade, caridade e proteção, promovendo uma inversão: ao invés de estarem explorando, os “patrões” ou “padrinhos” afirmam e acreditam estar “ajudando a criar” as crianças e as adolescentes empregadas”, diz a economista.

Do lado das meninas, o trabalho infantil doméstico é encarado como uma oportunidade para estudar. “Expostas a longas jornadas e restritas ao ambiente privado, onde exercem as repetidas e penosas tarefas domésticas, estas meninas têm comprometido o seu rendimento escolar, quando estudam”, conclui Ungaretti.

Muitas vezes as meninas saem de casa para estudar, para ter outra profissão, mas descobrem que não dá para conciliar estudo e trabalho. Largam a escola e eternizam, assim, a falta de educação e o trabalho doméstico infantil.

De acordo com uma pesquisa coordenada pela Organização Internacional do Trabalho – OIT nas cidades de Belo Horizonte, Belém e Recife, divulgada em abril de 2002, o atraso escolar das menores domésticas é maior do que em outras categorias: 53,2% das crianças e adolescentes entrevistadas já foram reprovadas. Segundo a pesquisadora Lena Lavinas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, esse tipo de emprego é incompatível com escolaridade regular e formadora, dadas as características da jornada e da atividade.

A difícil erradicação

Atualmente, integram a Rede Nacional de Combate do Trabalho Infantil 52 entidades e 26 Fóruns Estaduais, incluindo o Distrito Federal. Mas, para a economista “os instrumentos para  avaliar o problema ainda são raros. Há  poucos estudos sobre o tema, e o marco legal para o seu enfrentamento não está definido. Também não existem políticas públicas específicas. Há ações localizadas, mas as iniciativas não atingem nem 1000 crianças e adolescentes. O combate também se complica em razão dos valores culturais e do desafio de fiscalizar espaços privados”.

São quase meio milhão de crianças e adolescentes envolvidas com trabalho doméstico no Brasil, no início do século XXI. Enquanto a sociedade fizer “vista grossa” ao problema, considerando-o um mal menor para estas meninas, ele persistirá.

 



Deixe seu comentário
Seu nome:
Seu e-mail:   

   
   Veja outras matérias desta seção: