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 HOME Educa » FAMÍLIA » CONVIVENDO COM A DIFERENÇA 


Convivendo com a Diferença
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Data: 09/03/2011 
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RENOVANDO-SE COM AS DIFERENÇAS
Pressão iraniana sobre universitários

O governo iraniano, dos velhos aiatolás, vem impondo códigos de comportamento aos estudantes do ensino superior. Além das universitárias serem obrigadas a usar o véu, o regime islâmico agora proíbe unhas compridas e tatuagens e impede o uso de roupas justas ou brilhantes. As novas regras proíbem ainda o uso de chapéus ou bonés sem lenços por baixo, calças jeans curtas, ou justas, e piercings.

Os rapazes também foram afetados com a uma lista de cortes de cabelo permitidos pelo regime, e com a proibição de pintar cabelo, de fazer sobrancelha, de usar joias, de vestir roupas justas e de usar camisas com mangas excessivamente curtas.

A justificativa do governo é combater a ocidentalização do país para preservar a cultura nacional. Como se a cultura de um povo - que representa a forma de ser, de agir, de se comunicar, de se vestir e de se expressar - fosse estática e não tivesse a capacidade de absorver e processar diferentes influências, dando um estilo próprio a elas, mais afinado com a cultura nacional. Assim vem acontecendo em várias partes do mundo globalizado, onde as culturas se enriquecem sem que cada nação perca a sua identidade.

Golpe contra as liberdades individuais

Os jovens são grandes introdutores de novidades e modismos que costumam dar origem a mudanças de comportamento. A juventude tem mais tempo para isso e um olhar voltado para o futuro, enquanto que as outras gerações estão presas às responsabilidades do presente e às experiências e medos do passado. 

A juventude costuma ser a primeira a se rebelar contra a falta de liberdades (especialmente de expressão)  e a última a desistir do direito de ser livre. Não é por acaso que muitos movimentos revolucionários partem ou ganham força dentro das universidades, onde há (ou deveria haver) compromisso com a reflexão e a crítica dos grandes temas nacionais e mundiais. 

Em um país como o Irã, onde a religião se mistura com o Estado e é usada (e deturpada) para justificar opressões e injustiças, com o intuito de preservar privilégios de uma elite religiosa e militar, é de se esperar que toda influência externa seja vista como ameaçadora. Sob o manto da teocracia, uma casta defende seus interesses econômicos, enquanto 40% da população iraniana sobrevive com apenas 15 dólares por mês.

Mas tapar os ouvidos e os olhos dos jovens num mundo em que a tecnologia da informação está presente é mais difícil. A natural curiosidade e destemor da juventude leva ao intercâmbio e à comparação de ideias, o que fortalece o desejo de liberdade.

Somente jovens muito pobres, atingidos pela cegueira intelectual ou pela lavagem cerebral, não conseguem ver outro ponto de vista que não aquele que lhes foi ensinado. Apedrejamento de mulheres infiéis, censura a escritores, prisões infundadas, liberdades suprimidas sem direito à defesa, podem parecer coisas naturais para quem não aprendeu a fazer escolhas e só conheceu uma versão do “certo”.

 



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