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 HOME Educa » FAMÍLIA » CONVIVENDO COM A DIFERENÇA 


Convivendo com a Diferença
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Data: 10/06/2009 
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O resgate de uma dívida

Uma das maiores dificuldades humanas é aceitar e conviver com as diferenças. Nos versos da música “Sampa”, que fala sobre a cidade de São Paulo, o baiano Caetano Veloso revela a tendência narcisista de todos nós: “Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto / Chamei  de mau gosto o que vi, de mau gosto o  mau gosto / É que Narciso acha feio o que não é espelho”.

Talvez por isto tenhamos levado cerca de meio século para que a Constituição brasileira reconhecesse e resguardasse o direito dos povos indígenas de ter uma educação diferenciada, que preservasse suas tradições, valores e costumes.
 
Mas preservar não se contrapõe a integrar. Tanto a sabedoria e o conhecimento acumulado por esses povos têm importância para nós quanto o conhecimento científico e tecnológico, que conquistamos, é útil para eles. Contudo, a parte difícil  da questão é promover a troca de saberes, sem dissolver culturas e sem padronizar comportamentos.

Integrando pela educação

O preconceito tem sido uma forte razão para que este e outros segmentos da sociedade  vivam à margem da vida brasileira, sem partilhar dos benefícios da educação, que deveriam ser franqueados a todos. 

Pelo levantamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), realizado em 2000, somente cinco mil índios concluíram o ensino médio, numa população indígena estimada em 368 mil – o que  representa apenas 1,36%. Desses alunos, só mil ingressaram no ensino superior, o que significa 0,36% do mesmo total.

Porém esse pouco já começa a fazer diferença, dando voz às aldeias e abrindo novos caminhos para seus povos e fazendo com que eles sejam notados pelo mundo “civilizado”.

O reflexo já se fez sentir nos dados do Censo de 2005, que foram mais animadores. Em relação aos ensinos fundamental e médio, a educação indígena cresceu 17,5% somente nos últimos dois anos. As razões, segundo o MEC, foram não só as taxas de crescimento populacional como a formação de oito mil professores indígenas.

Facilitar o acesso dos índios às universidades é um passo importante para a integração. Por isto, a criação de mecanismos de avaliação mais adequados para o ingresso e a implantação de políticas públicas para sustentar a permanência destes estudantes nas universidades. Os incentivos como bolsas fornecidas pela Funai e outros órgãos, serviços de apoio, oferecimento de cursos de interesse das populações, e tantos outros, são necessários para romper as dificuldades, que são muitas.  Mas,  para combater  o preconceito, só a educação, a convivência e o tempo podem ajudar.

Hoje, alguns estados disponibilizam cotas de acesso à educação pública universitária para as populações indígenas, oferecendo cursos especialmente nas áreas de saúde e educação. A expectativa é de que os índios capacitados retornem às suas aldeias e comunidades, aplicando os conhecimentos para a melhoria da condição de vida dessas populações.  

Para facilitar a própria inclusão na sociedade, os índios universitários estão se articulando em associações com o objetivo de vencer as dificuldades acadêmicas, criando grupos de estudo, aulas de reforço e propostas que ajudem a integrar a aprendizagem urbana com a vida da aldeia. Buscam convênios com fundações , ONGs e centros de pesquisa, que possam receber estagiários indígenas, e agilizam junto aos governos estadual e federal a distribuição de bolsas  e recursos financeiros previstos em lei.

Esta é uma imagem do índio ainda pouco conhecida dos brasileiros. Bem diferente da imagem caricata, que se aprende na escola, do índio colorido, dançando e caçando ou  da imagem do índio preguiçoso, deixada pelo colonizador que não conseguiu escravizá-lo. Se antes, lutaram pela sobrevivência, há tempos lutam pelo direito à terra e à cidadania.

 



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Muito bom!!! e também deixa até um pouco de vergonha de fazer parte dos "seres civilizados". Abraços,
Janille Mesquita

A imagem que temos desses brasileiros de raiz história e cultura me envergonha! Sou gaúcho e conheço muito bem minhas origens e costumes. Os nativos brasileiros são verdadeiros heróis e nos ensinaram palavras semelhantes às que hoje estão em nosso hino, como o treicho "... mas não basta pra ser livre, ser forte aguerrido e bravo! Povo que não tem virtude acaba por ser escravo!" Por preferir morrer ao ser escravizado e por se negar a lutar contra seu próprio povo o índio foi chamado de preguiçoso. Espero que em um futuro não muito distante desse sufoco pelo qual nossos irmãos estão passando, eu possa sentar em um campús de uma universidade onde quer que eu esteja neste país, e ouvir histórias de nossas raízes em uma conversa cotidiana. "... Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda Terra!..."
Gregory da Silva Pinto, 17 anos, Pelotas RS

   
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