BRASILEIROS SÃO CONTRA IMIGRAÇÃO? Pesquisa aponta números surpreeendentes
A fama brasileira de acolher calorosamente os turistas parece desaparecer quando entra em jogo a luta por um emprego ou melhores condições de vida. É que demonstra o RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) de 2009, do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Veja aqui.
Mesmo formada principalmente por descendentes de africanos, portugueses, japoneses, italianos e espanhóis, a população apoia medidas de restrição em determinados casos. O estudo aponta que 43% dos brasileiros são contrários à entrada de estrangeiros e defendem as limitações para evitar a imigração. 45% dos entrevistados acham que a liberação só pode ocorrer caso existam empregos disponíveis e 9% são favoráveis à livre entrada.
Este último pensamento é o mesmo defendido pelo PNUD, que prega a imigração como um fator fundamental para as liberdades individuais, e ainda sugere que a chegada de estrangeiros melhora os níveis de emprego e investimentos.
Embora possa soar arrogante, o pensamento dos 43% dos entrevistados brasileiros é similar ao encontrado pela pesquisa em outros países: Argentina e México (39%), Espanha (43%) e Itália (42%) têm percentuais bem parecidos de não-aceitação aos imigrantes.
A motivação econômica por trás da rejeição é um traço comum à resistência. Exemplos recentes na Europa mostraram como a falta de empregos pode desencadear reações xenófobas e preconceituosas. Os imigrantes, tradicionalmente ocupantes dos chamados sub-empregos, acabam por involuntariamente derrubar os salários e os benefícios oferecidos pelas empresas, ao se submeterem a vencimentos abaixo da média e condições inadequadas de trabalho.
Apesar da imigração de estrangeiros estar em queda constante por aqui e a rejeição praticamente não se aplicar na prática cotidiana, a constatação é interessante por demonstrar a mudança de um quadro até então apontado como estável, onde o Brasil seria um país tradicionalmente receptivo. No século XIX, por exemplo, os estrangeiros recebiam terras ao chegarem por aqui.
A pesquisa mostra que em todo o mundo, à exceção dos países do Golfo Pérsico, as taxas de imigração estão estáveis. Na região citada, por conta de conflitos constantes, ainda há grandes massas de cidadãos fugindo de seus países e buscando refúgio em outros lugares.