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Durante as obras de construção de uma rodovia no condado de Dorset, ao sul da Grã-Bretanha, em junho de 2008, foram encontradas as ossadas de 51 pessoas decapitadas. Desde então arqueólogos tentavam desvendar o mistério da identidade dos ossos e o motivo pelo qual os crânios estavam separados do resto do corpo.
Ao contrário do que é comum, não havia no local indício que pudesse ajudar a determinar a data das mortes. A solução encontrada foi a aplicação de testes a partir do carbono –14, substância que com o passar do tempo diminui sua concentração nos tecidos orgânicos mortos a um ritmo constante. Assim, a medição dos valores de carbono-14 em um objeto antigo nos dá pistas muito exatas dos anos decorridos desde sua morte.
Período Saxônico
O resultado dos exames apontou para uma data próxima do final do período saxônico, entre os anos 910 e 1030. Os anglo-saxões sofreram constantes incursões de povos vikings na Grã-Bretanha e o conflito entre os dois lados pelo controle da região era comum.
Segundo os arqueólogos o local da descoberta era usado para execuções naquela época. A dúvida que restava era se as ossadas pertenciam a saxões ou vikings.
Novos testes
As análises foram feitas nos dentes das ossadas e mostraram que aquelas pessoas nasceram em países mais frios que o Reino Unido. A descoberta foi possível, pois o clima mais frio gera um tipo distinto de assinatura dos isótopos no esmalte dos dentes. Isso indica que a água ingerida pelos indivíduos ainda quando criança era mais fria que a da região.
Outra característica também foi relevante e mostrou que os donos daquelas ossadas tinham uma alimentação rica em proteínas o que levou os arqueólogos a associá-los aos povos vikings da Suécia.
Quem eram os vikings?
Conhecidos como nórdicos ou normandos, o povo viking é originário da região da Escandinávia, que hoje abriga o território de três países europeus: a Suécia, a Dinamarca e a Noruega. Diferente do que muitos pensam, os vikings não foram totalmente exterminados, bem como os Incas também não.
Os povos Escandinavos de hoje são seus descendentes, assim como existem muitos descendentes de Incas espalhados pela cordilheira dos Andes. Em função da religião e dos costumes da Europa Cristã sua cultura - enriquecida graças à atividade agrícola, o artesanato e um notável comércio marítimo - foi se perdendo, por isso os vikings deixaram de ser um povo em particular e se mesclaram ao cenário do Ocidente mundial.
A pirataria foi uma das mais importantes atividades econômica desse povo. Em várias partes da história, essa civilização saqueou e conquistou terras, principalmente na região da Bretanha, que hoje abriga o Reino Unido. A civilização viking atingiu seu auge entre os séculos VIII e X, quando, no final do século VIII, iniciou o processo de invasão à Grã-Bretanha, numa guerra que resultou na conquista de parte das terras britânicas.
Moradia, vestimenta e costumes vikings
Madeira, pedras e relva seca eram os principais elementos utilizados na construção das moradias vikings. Tudo era muito simples, a começar pela distribuição espacial do lar. Em muitas casas, havia apenas um cômodo.
Sua vestimenta era uma combinação de peças de tecido com couro e peles grossas para manter seu corpo aquecido, já que precisavam suportar as baixíssimas temperaturas do norte europeu. Toda a população viking apreciava a utilização de acessórios em metal e pedra.
Como organização familiar, era possível vislumbrar um grande traço patriarcal entre as relações: o homem era visto como o centro da casa, responsável pela defesa da família e a realização das principais atividades econômicas, já a mulher, ficava responsável pela preparação dos alimentos e por pequenas tarefas cotidianas.
No âmbito religioso, eram portadores de uma rica mitologia povoada por vários deuses sistematicamente adorados em eventos coletivos. Várias histórias envolvem a luta entre os deuses nórdicos ou o conflito entre as divindades e os gigantes. Odin era adorado como “o Deus dos deuses”. Thor era a divindade de maior popularidade e tinha poder sobre os céus e protegia povo viking.
Grande descoberta
Segundo especialistas essa é a maior descoberta de ossadas vikings em terras estrangeiras identificadas com o uso de isótopos. Os pesquisadores afirmam ainda que os indivíduos encontrados eram adolescentes e jovens, seriam altos e teriam boa saúde.
É possível que as mortes tenham sido causadas por sucessivos golpes de espada o que comprova as afirmações de que o período foi marcado por guerras e violência entre os dois povos.
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