Relatório aponta queda no número de favelados e desigualdade em capitais brasileiras.
A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o relatório "State of the World’s Cities 2010/2011", um estudo aprofundado da situação social nas cidades ao redor mundo realizado durante a última década. Além de dados sobre renda e índice de natalidade, foram incluídos o acesso da população a saneamento básico, água corrente e limpa e seu poder de compra.
As conclusões do relatório mostram que o Brasil se depara com avanços, mas também com retrocessos. Enquanto possui quatro capitais - Goiânia, Brasília, BH e Fortaleza - na lista das cidades mais desiguais do mundo, nosso país conseguiu diminuir o número de favelados em 16% nos últimos dez anos. Essa diminuição representa menos 10,4 milhões de pessoas morando em situação precária.
A questão da favelização
Segundo o relatório, o crescimento das favelas não diminuiu só no Brasil, outros países como China e Índia também melhoraram as condições de moradia de suas populações. Entre 2000 e 2010, 125 milhões de indianos deixaram de morar em situação de risco, “um passo gigante” segundo a ONU. Ao todo, 227 milhões de pessoas no mundo deixaram de morar em favelas nos últimos anos.
Especialistas apontam a adoção de políticas econômicas e sociais, a diminuição da taxa de natalidade e da migração do campo para a cidade como a causa dessa diminuição geral, pelo menos no Brasil. A criação do Ministério das Cidades, a adoção de uma emenda constitucional afirmando o direito do cidadão à moradia e os subsídios de materiais de construção, terrenos e serviços também são fatores exaltados.
Embora o relatório da ONU aponte para uma diminuição do processo, é importante lembrar que ele continua a ser um grande mal dos centros urbanos. Por isso, é preciso recordar o que é a favelização: chamamos de favelização o processo de crescimento desordenado das favelas que se expandem tanto em extensão quanto em população. Esse crescimento leva à construção de casas em locais arriscados, no alto de morros e na beira de barrancos. As favelas geralmente não têm saneamento básico ou qualquer tipo de assistência governamental. Esse processo tende a ser maior nas grandes cidades, pois são pontos de atração de imigrantes.
A desigualdade
O Brasil possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado (0,813 – o mais alto é da Noruega, com 0,971), porém ainda assim nosso país está atrás de Argentina (0,866) e Uruguai (0,865), nossos vizinhos de Mercosul. Essa diferença se deve principalmente pela desigualdade social brasileira e este fato foi apontado no relatório da ONU. A discrepância encontrada nas quatro capitais brasileiras nas piores colocações só não supera as três cidades sulafricanas que lideram o ranking: Buffalo City, Johannesburgo e Ekurhulen.
Para chegar a essa conclusão, cada cidade recebeu um valor de Gini, calculado como base no gasto em consumo e na renda da população. O número varia de 0 a 1 e quanto mais próximo de 1, mais desigual é a cidade. Goiânia, Brasília, BH e Fortaleza receberam índice 0,60.
Debate
As conclusões presentes no relatório "State of the World’s Cities 2010/2011 serão discutidas no V Fórum Urbano Mundial que começa dia 22 e vai até 26 de Março, no Rio de Janeiro. Com o tema: “O Direito à Cidade: Unindo o Urbano dividido”, o evento da ONU pretende analisar os desafios da rápida urbanização e seus impactos na sociedade, além de buscar soluções para os maiores problemas urbanos. Segundo a ONU, mais da metade da humanidade vive hoje nas cidades.
Vale a pena acompanhar as discussões e propostas levantadas no encontro, pois o tema é muito relevante e afeta a todos que moram em cidades.
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