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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Nacional do Comahue (Argentina) apresentaram na última quarta-feira, durante solenidade na Casa de Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma réplica em tamanho natural do Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro já encontrado no Brasil.
O nome científico do animal foi escolhido em homenagem ao local de sua descoberta no ano de 2004, às margens da rodovia BR-050, na cidade de Uberaba, Minas Gerais e o autor da descoberta: o paleontólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro. A réplica é o resultado da maior escavação de fósseis já realizada no país e possui uma importância incomparável por ser o titanossauro com o maior número de ossos já localizados e, principalmente, pelo animal ter vivido o último momento de extinção em massa do planeta, entre os períodos cretáceo e terceário.
De acordo com o paleontólogo da UFRJ, Ismar de Souza Carvalho, as pistas encontradas sobre o ambiente de vida e de morte destes seres são uma descoberta até mais importante que o próprio dinossauro. Há indícios de que no período em que estes animais viveram a região oscilava entre períodos de secas e fortes tempestades.
Exposição
A réplica paleontológica, criada a partir dos 37 ossos encontrados durante o período de escavações na região do triângulo mineiro, estará exposta até o dia 24 de outubro na Casa de Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em Botafogo. A escultura, constituída por plástico e aço, possui 11 metros de comprimento e 5,5 metros de altura e demorou quatro anos para ser concluída, desde o período de escavações até a finalização da escultura, que contou com a ajuda de simulações digitais.
Ao lado do titanossauro - espécie de herbívoro de pescoço longo, com placas ósseas na região dorsal - foi inserida uma réplica artística, em resina, de um abelissauro - carnívoro de 5,8m de comprimento que conviveu com o Uberabatitan na região mineira, a cerca de 65 milhões de anos.
Outros achados
Apesar da importância da descoberta do esqueleto do Uberabatitan ribeiroi, considerado até agora o maior dinossauro já encontrado no Brasil, alguns outros já foram localizados em diversas regiões do país, ao longo das últimas décadas.
Os dois últimos achados foram o Unaysaurus tolentinoi, o “dinossauro de Água Negra”, na cidade de Água Negra, Rio Grande do Sul, em 1998; e o Sacisaurus agudoensis, conhecido como Sacissauro, descoberto em Agudo, outra cidade do Sul do país, no ano de 2001.
O “dinossauro de Água Negra” viveu no período triássico (há cerca de 225 milhões de ano), período em que era raro o aparecimento de dinossauros. Ele representa o primeiro representante do grupo dos “Prosauropoda” encontrado no país e, um dos mais antigos encontrados no mundo. Eram herbívoros e desproporcionais: a cabeça era pequena, o pescoço longo e o corpo rechonchudo. Seus membros anteriores eram mais curtos que os posteriores, lhes proporcionando uma postura bípede. De acordo com os pesquisadores, possuem o crânio mais completo já encontrado no país.
O Sacissauro viveu provavelmente no mesmo período paleontológico que o Unaysaurus tolentinoi, porém apresenta características bastante diferentes. Fez parte da linhagem do ornitísquio, descendente do tiranossauro. Possuía estatura de 70 cm e comprimento de 1,5 m, com pernas compridas e fortes que indicavam que o animal era bastante veloz.
Seus dentes curtos, de no máximo 3 mm, e mandíbula bem conservada, apontam pra uma alimentação herbívora. Foi o 13º dinossauro encontrado no país e recebeu este nome por ter sido encontrado, durante a escavação, 19 fêmures do lado direito do animal e, nenhum do esquerdo.
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