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A ideia de que o Brasil é um território livre de terremotos, furacões e outras formas de catástrofe naturais faz parte do imaginário popular. Entretanto, a sensação de morar num oásis protegido desses fenômenos da natureza não passa de fantasia, pelo menos no que diz respeito aos tremores. Segundo uma pesquisa do Instituto de Geociência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o nosso país, na verdade, possui aproximadamente 48 falhas geológicas mestras, ou seja, os locais onde “nascem” os terremotos.
E foram duas dessas falhas as causadoras dos tremores registrados no Rio Grande do Norte no sábado (9) e segunda (11). Especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmaram que as responsáveis pelos abalos foram a falha Samambaia, localizada em João Câmara, e Poço Branco, localizada no município de mesmo nome.
O tremor ocorrido no sábado registrou 3,7 graus na escala Richter (que vai até 9 e utiliza o sismógrafo para medir a intensidade de um terremoto) e foi sentido nos municípios de João Câmara, Poço Branco, Taipu, Ceará-Mirim e em alguns bairros de Natal. Já o abalo de segunda, registrou 3,8 graus e foi sentido por moradores de cidades do Rio Grande do Sul, Paraíba e Pernambuco. Segundo o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), esses são terremotos de força moderada, com capacidade de causar rachaduras em casas, por exemplo. De fato, não houve registro de casas destruídas, somente algumas paredes rachadas e feridos leves.
Novos tremores
Há a possibilidade de que ocorram novos tremores, segundo afirma o sismólogo Joaquim Ferreira, da UFRN. Ele explica que pode ter se iniciado um novo ciclo de tremores no nordeste, o que os especialistas chamam de enxame sísmico. O professor acredita que a causa dos tremores seria a reativação da falha geológica de Poço Branco e lembra que não é possível saber em quanto tempo irá acontecer um novo abalo ou a sua magnitude.
A região não apresentava qualquer tremor desde 1997, por isso há energia acumulada. Com a reativação da falha, essa energia deve ser liberada na forma de novos abalos.
Terremotos no Brasil
Os terremotos são provocados pelo deslocamento das placas tectônicas, blocos rochosos que formam a crosta terrestre. Quando uma placa se movimenta, existe liberação de energia, resultante do acúmulo de tensões na crosta. Nos locais onde duas placas se uniram ou se separaram há milhões de anos, formaram-se falhas que, por serem zonas frágeis, servirão como porta de escape dessas tensões. Elas têm de 50 a 70 quilômetros de profundidade, e correspondem às áreas onde ocorrem os terremotos de maior intensidade.
Apesar de estar localizado no meio de uma grande placa, o Brasil não está livre dos tremores, pois toda placa é recortada em vários pequenos blocos, de várias dimensões. Esses recortes funcionam como uma ferida que não cicatriza: apesar de serem antigos, podem se abrir a qualquer momento para liberar energia. Nessas situações surgem os terremotos de pequena e média intensidade, como os registrados no RN.
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