Máquinas podem ser capazes de simular cérebro humano já na próxima década.
A tecnologia atual é capaz de recolher dados e, por meio deles, prever a proximidade de abalos sísmicos, a chegada de uma tempestade ou de um furacão e até analisar impactos ambientais, mas tudo isso com cálculos racionais e objetivos. Um computador comum não é capaz de lidar com abstrações e aspectos básicos de raciocínio que o cérebro, órgão mais complexo do nosso corpo, consegue realizar tão bem.
Entretanto, a IBM e cinco universidades americanas criaram um departamento de Computação Cognitiva destinado a criar um computador capaz de simular as interações que ocorrem no cérebro humano. A pesquisa tem avançado e prevê que em 2019 um computador já seja capaz de pensar como uma pessoa.
A pesquisa
O objetivo dos pesquisadores é alcançar o funcionamento do córtex cerebral a parte “pensante” do cérebro. Para a primeira etapa da pesquisa, foram escolhidos animais pequenos e considerados menos complexos. Em 2006, os cientistas já haviam simulado 40% do cérebro de um rato, o cérebro completo do roedor foi simulado em 2007, e neste ano, 1% do córtex cerebral de um ser humano foi simulado.
Para se ter idéia da complexidade, para simular o córtex cerebral de um gato, foi usado um supercomputador com 147.456 processadores (PCs mais modernos têm apenas um ou dois processadores) e 144 terabytes de memória central - 100 mil vezes mais que os computadores que usamos no dia-a-dia. A simulação, apresentada numa conferência de supercomputação nos EUA, não pretende ser um “gato-robô” ou um computador-gato”, a intenção e descobrir como funcionam e se formam os pensamentos no cérebro. Embora bem sucedida, a demonstração roda 100 vezes mais devagar que cérebro do gato real e serve para observar como os pensamentos são formados e como os cerca de 1 bilhão de neurônios e 10 trilhões de sinapses trabalham em conjunto.
O cérebro humano
Milhares de vezes mais complexo do que o cérebro dos mamíferos já simulados, a reprodução do órgão humano depende dos avanços na tecnologia dos processadores. Segundo a Lei Moore, uma espécie de ‘regra de ouro’ da computação, a capacidade de transmissão de dados num micro-processador tende a dobrar a cada dois anos, o que torna a façanha possível já na próxima década e implica dizer que existirá um supercomputador com um quintilhão de cálculos por segundo e 4 pentabytes de memória.
Segundo Dharmendra Modha, um dos chefes da pesquisa, O cérebro humano é completamente diferente dos computadores de hoje em tamanho e capacidade, e os cientistas trabalham para aprender como construir novas arquiteturas de computação a partir dele. A pesquisa envolve, portanto a combinação de supercomputação, neurociência e nanotecnologia.
Mas o que fazer com um simulador de cérebro humano?
Além de auxiliar na construção de computadores mais potentes, a pesquisa contribui para o entendimento do funcionamento do próprio cérebro. Isso ocorre porque até hoje os cientistas fazem descobertas separadas. Identificam funções de pequenas partes e áreas do órgão, mas não conseguem compreender como elas interagem e interferem entre si. O simulador poderá ser um observatório criado a partir de um modelo real. O objetivo é compreender as sutilezas do pensamento humano, entender como os milhares de neurônios e sinapses agem junto.
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