ONU alerta para agravamento de conflito.
ONU alerta para agravamento de conflito.
A semana começou com uma denúncia da Organização das Nações Unidas (ONU) da morte de uma centena de crianças, somente no último final de semana, no conflito do Sri Lanka. Além das crianças, cerca de 300 civis morreram numa área ao Norte do país, para onde centenas de pessoas migraram tentando fugir da guerra entre a guerrilha tâmil e o Exército do Sri Lanka. Logo após as mortes do final de semana, houve bombardeio a um hospital, matando 49 pessoas.
A instituição já havia previsto o que chamou de “banho de sangue” no país asiático. Os principais jornais do mundo destacaram o agravamento do conflito, que já dura mais de três décadas.
A ONU também denunciou o bloqueio à ajuda humanitária. Os carregamentos de alimentos têm sido impedidos de entrar no país.
Por considerar estar próximo da vitória, o governo do Sri Lanka rejeita qualquer trégua. A liderança dos separatistas não aceita a rendição e exige que todos os rebeldes carreguem uma cápsula de cianeto para tomarem caso sejam capturados.
O país e o começo do conflito
O Sri Lanka é localizado numa ilha, a sudeste da Índia, com uma população de cerca de 21 milhões de habitantes. O país é um importante centro budista, apesar de apresentar uma grande variedade de crenças. Entre seus habitantes podemos encontrar hinduístas, cristãos e muçulmanos, além de outras religiões.
Pouco tempo após a independência em relação ao Reino Unido, em 1948, emergiram tensões entre os diferentes grupos étnicos e religiosos. Basicamente, os conflitos eram entre a maioria cingalesa – budista – e os tâmeis – hinduístas e católicos. As duas etnias falam idiomas diferentes. Ambas acreditam que seus ascendentes eram os habitantes originais da ilha. O grupo tâmil acusava os cingaleses de discriminação, enquanto esses argumentavam estar apenas equilibrando o que havia ocorrido enquanto o país era colônia britânica, quando os cingaleses é que teriam sido vítimas de preconceito.
Tigres Tâmeis
O líder do grupo separatista Tigres Tâmeis, Prabhakaran, argumenta que a discriminação do governo em relação a etnia tâmil foi o principal motivo que originou, em 1972, a milícia Novos Tigres Tâmeis, mais tarde renomeada como Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE, na sigla em inglês). O grupo exige a criação de um Estado tâmil e, em nome disso, realizou inúmeros ataques suicidas, entre outros ataques terroristas contra militares e civis.
Agravamento da violência
Apesar de a guerra já ser longa, poucas vezes houve tanta violência, o que chamou a atenção internacional. Apesar de o número preciso de mortos nos combates não possa ser verificado de forma independente - o acesso às áreas é controlado pelo governo - calcula-se que, durante todo o período da guerra civil, 70 mil pessoas tenham morrido e outras milhares tenham buscado refúgio em outros países. Um dos lugares mais procurados pelos refugiados é a Índia, especialmente pela proximidade. Esta semana os indianos reforçaram a fiscalização em suas fronteiras, alegando estarem evitando que, junto com refugiados, também entrem terroristas no país. Agências de ajuda humanitária afirmam haver graves dificuldades para levar alimentos aos desabrigados. O exército cingalês e os Tigres Tâmeis são acusados de abusos dos direitos humanos por organizações como a Anistia Internacional.
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