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"Sabesp alerta para o risco de mais enchentes em São Paulo", "Gaúchos pedem medidas para amenizar perdas com enchentes", "Chuva causa mais enchentes no Rio de Janeiro".
Essas são manchetes publicadas nos principais jornais durante o mês de Janeiro. Tradicionalmente este é um período crítico de chuvas e tempestades, mas, nos últimos anos as precipitações têm aumentado, principalmente no sul e sudeste. Somente no Estado de São Paulo, por exemplo, o volume de chuva no Alto Tietê já superou em 62,2% a média histórica para todo o mês. Se comparado com Janeiro do ano passado, a elevação é de 57,2%.
Todo esse volume de água eleva o nível dos rios urbanos, e, somado à falta de planejamento na construção das cidades, lixo nas ruas e bueiros entupidos, forma a receita completa para as enchentes que assolam as metrópoles. Essas calamidades causam grandes perdas materiais, mas também humanas. Casas são inundadas, carros são levados pela correnteza e doenças são transmitidas pela água misturada ao esgoto. Os alagamentos são então, os maiores responsáveis pelo aumento no número de casos de leptospirose, diarreia e hepatite A.
População em alerta
A cidade de Capivari, a 104 km de São Paulo, sofre com as enchentes desde dezembro e já registra dois casos de leptospirose. Por isso os especialistas pedem que a população evite o contato com a água das enchentes, pois a infecção é transmitida por uma bactéria encontrada na urina do rato, habitante comum das nossas metrópoles.
O mesmo cuidado vale para evitar as diarreias e a hepatite A já que a primeira é causada por uma bactéria e a segunda por um vírus encontrados nas fezes humanas. A transmissão dessas enfermidades é entérica, pois ocorre através da ingestão de água contaminada ou do contado dela com a pele.
Essas doenças são muito conhecidas pelos infectologistas e poderiam ser evitadas se o esgoto das grandes cidades fosse tratado adequadamente. Entretanto, apenas 20% do que é produzido é tratado antes de ser jogado na natureza, ou seja, em muitas localidades os dejetos vão para os rios sem qualquer tratamento, o que torna a exposição a alagamentos um perigo para a saúde.
Sintomas
Os sintomas da leptospirose em sua fase inicial são febre intensa e súbita, calafrios, dores musculares (principalmente na batata da perna), conjuntivite, incômodo com a presença de luz e dor de garganta. Em seguida, os sintomas melhoram, para depois voltarem na fase aguda piorados e acompanhados de pele amarelada e hemorragia.
As doenças de transmissão entérica têm como sintomas febre, diarreia, náusea, vômitos e dores ou desconfortos abdominais. A hepatite traz sintomas parecidos e também pele amarelada e urina escura.
Cuidados
Segundo os médicos, o ideal é evitar qualquer tipo de contato com a água das enchentes, mas, quando isso é impossível, deve-se lavar muito bem as partes do corpo expostas à água e esperar. Neste tipo de contágio, não há o que fazer até que os sintomas apareçam, por isso é necessário um período de observação. Os sintomas podem aparecer de 48 horas a 12 dias após o contagio, dependendo do tempo de exposição à água contaminada e ao grau de concentração dos contaminantes.
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