Estimular o cérebro ajuda contra o aparecimento dos sintomas de demência.
Você se lembra das férias de janeiro deste ano ou das do ano passado? E da prova de física do primeiro bimestre? Quando pensa em lembranças, você pode ver flashes de um dia nadando na praia ou vendo fogos de artifícios explodindo lentamente na festa de ano novo. Mas como você armazena estas imagens para apreciá-las mais tarde? Através da sua MEMÓRIA, área comandada pelo cérebro.
É o cérebro que determina se uma informação necessita ser conservada ou não. É ele que também controla os movimentos, o sono, a fome, a sede e quase todas as atividades vitais necessárias à sobrevivência. Podemos afirmar ainda, que o cérebro é o centro da inteligência e do aprendizado. Baseado nisso, uma pesquisa publicada essa semana na revista Brain sugere que quem estuda e estimula mais o cérebro tem menos chances de apresentar sintomas de demência.
Demência
A demência é toda e qualquer doença que provoca alteração de curta ou longa duração associada ao raciocínio. A memória de curta duração está relacionada àquilo que uma pessoa fez nos últimos dias e horas. A de longa duração está relacionada ao aprendizado, às lembranças da infância e aos anos passados.
Quando uma pessoa deixa de reconhecer alguém ou um lugar, ou o tempo que ocorreu determinado fato, significa que ela está com alguma alteração na memória e conseqüentemente, com um quadro de demência.
O estudo
Segundo o estudo, as pessoas que estudam mais têm o cérebro tão afetado por doenças neurodegenerativas quanto as demais, mas as manifestações físicas da doença são menores em quem exercita o órgão. Pesquisas anteriores sugeriam que quanto maior o nível de escolaridade de uma pessoa, menor o risco de ela sofrer de demência. Contudo, a nova pesquisa desfaz esse conceito e revela que essas pessoas apenas lidam melhor com as manifestações físicas das doenças.
A pesquisa foi realizada com cerca de 872 pessoas que, antes de morrer, preencheram questionários sobre seu nível de educação, o momento em que abandonaram a escola e se frequentaram a universidade ou não. O estudo foi dividido em três grandes etapas sobre o envelhecimento.
Tamanho do cérebro indica perda ou não de neurônios
Os cientistas chegaram à conclusão de que a única diferença significativa encontrada entre aqueles com maior grau de escolaridade foi o tamanho do cérebro. Cada ano adicional de estudo apontava que o órgão tinha 10% a mais de chance de estar seu tamanho máximo na hora da morte, ou seja, tinha perdido menos neurônios.
De acordo com Hanna Keage pesquisadora da Universidade Cambridge, a relação estudo x juventude faz um indivíduo lidar com as mudanças antes dos sintomas da demência. "Nosso estudo mostra que o ensino durante a juventude permite que algumas pessoas lidem com muitas mudanças em seus cérebros antes de apresentarem sintomas de demência", disse ela. Ainda de acordo Hanna, as pessoas que estudam por mais tempo se mostram capazes de lidar melhor com os danos causados à memória.
Já o neurologista Cícero Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo, afirma que isso pode ser explicado pelo fato de que, ao aprendemos uma nova habilidade, novos neurônios são produzidos. "O cérebro possui células-tronco que, quando estimuladas, transformam-se em novos neurônios. Esse processo pode ocorrer a qualquer momento da vida, mesmo com 90 anos", diz ele.
No caso de um individuo com baixa escolaridade, a parte ativa do cérebro é menor. Sendo assim, quando é atingido por doenças neurodegenerativas, os sintomas surgem mais rápido.
A demência também está diretamente relacionada à perda de neurônios. No mundo todo, estima-se que cerca de 35 milhões de pessoas sofram com a doença. Como ainda não existem tratamentos eficazes, a sugestão é optar por maneiras de preveni-la. Como? Veja algumas dicas:
- Jogos de quebra-cabeça, palavras cruzadas e novos idiomas ajudam a manter um alto nível de atividade intelectual.
- Hipertensão e diabetes também podem provocar algum tipo de demência, como Alzheimer. Faça exames regularmente.
- Manter uma alimentação saudável, com frutas, legumes e vegetais ajuda na prevenção.
- Ler bastante e fazer uma rotina diferente todos os dias é uma ótima fonte de exercitar o cérebro.
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