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O número é 8 é visto, pelos chineses, como um número de sorte. Por isso, os jogos olímpicos, em Pequim, foram abertos em 08/08/2008. Sem abrir mão do preciosismo, a abertura da olimpíada começou exatamente as 8h08min, à noite.
Se, por um lado, a data pode trazer sorte para os chineses, por outro lado foi o dia de início de um importante conflito em plena Europa. A Rússia, grande potência nos tempos da Guerra Fria, invadiu a Geórgia, país que foi, durante muito tempo, sua área de influência.
A Geórgia localiza-se no sul da Rússia e fez parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) entre 1921 e 1989. Após esse período, houve a queda do socialismo e o triunfo do capitalismo norte-americano.
Os problemas da Geórgia com a Rússia datam de antes do século XIX, quando houve lutas sangrentas para a anexação do seu território ao império russo. Mesmo com inúmeros movimentos de independência georgianos, o seu recorte geográfico acabou fazendo parte da ex-URSS, desagradando bastante o seu povo.
Na verdade, pode-se dizer que as tensões atuais entre os dois países começaram antes mesmo do colapso da União Soviética, quando o nacionalismo na Geórgia começou a se tornar uma poderosa força política. Com o fim da Guerra Fria, a população votou pela independência e se desvencilhou da então enfraquecida Rússia.
Qual o motivo do conflito atual?
A grande tensão entre Rússia e Geórgia, nesse ano, está motivada por conta da Ossétia do Sul, província localizada entre os dois países. A população local resolveu promover sua independência da Geórgia, com o fim da Guerra Fria, em 1989.
O governo georgiano não concordou e suas tropas inadiram a província e iniciaram um conflito armado que acabou em um tratado de paz. Mas, o povo local continuou a sonhar com a liberdade e elegeu seu primeiro presidente, em 2001, e solicitou a idependência definitiva. O ato não foi aprovado nem pela Rússia, nem pela Geórgia e muito menos pela ONU.
Então os insurgentes de Ossétia do Sul tentaram resolver a situação de outro modo. Através de um referendo, a população local decidiu-se pela separação com a Geórgia e a reunificação com a Ossétia do Norte, província russa, na fronteira. A Geórgia não só negou o pedido como invadiu o pequeno território, em 2006.
As olimpíadas e o conflito no Cáucaso
2008, ano da sorte chinês, foi um pesadelo no cáucaso. A nação georgiana solicitou, formalmente, sua entrada no Tratado do Atlântico Norte, comandada pelos Estados Unidos. Como a Rússia não faz parte desse tratado e foi, durante muito tempo, líder do Pacto de Varsóvia, ela resolveu contra-atacar solicitando não só a independência da Ossétia do Sul, como também de Abkhazia, outra região separatista da Geórgia.
Preocupada mais ainda com a situação, a Geórgia invadiu a sua província separatista principal, argumentando que estava salvando o povo dos rebeldes insurgentes. No dia do início das olimpíadas, como retaliação, as forças russas invadiram o território georgiano. Há mais de mil mortos.
Nos jogos olímpicos, as competições foram ameaçadas pelo pedido inusitado de retorno dos atletas pelo presidente georgiano. Mas, Nino Salukvadze voltou atrás e a delegação pôde participar do desfile de abertura. Num ato de pedido de paz, a atiradora da Geórgia, abraçou sua rival da Rússia, depois de conquistar sua medalha de bronze olímpica no tiro.
Cinco dias após o conflito, os líderes da Geórgia e da Rússia assinaram um acordo pelo fim dos combates. Dentre os pontos do tratado de paz está o renúncio da força e o fim definitivo das ofensivas militares. Vamos aguardar por novos acontecimentos
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