Excesso de informações altera capacidade de concentração.
Quantas janelas ou abas de internet estão abertas agora no seu navegador? Você é capaz de estudar enquanto ouve música? Dorme ao lado do celular? Está em mais de uma rede social? Tem mais de um e-mail? Não, isto não é um questionário sobre seus hábitos tecnológicos, mas se você navega por muitas páginas ao mesmo tempo e é capaz de realizar atividades diferentes simultaneamente, provavelmente é um ser multitarefário. E embora essa característica pareça ser exclusiva dos dias atuais, um rápido olhar para o passado nos mostra que ao longo de toda a sua existência a humanidade vem sendo superestimulada.
Fazendo um breve histórico, desde as grandes navegações, passando pela industrialização e consequente urbanização para chegar à popularização da tecnologia e dos meios de comunicação, podemos perceber que a quantidade de informações e tarefas exigidas do nosso cérebro só vem aumentando. E, naturalmente, o ser humano multitarefas passou a ser alvo de pesquisas. Segundo os cientistas, para os homens dos tempos modernos, esse excesso de informação é capaz de gerar mudanças na forma de pensar e de se comportar. Essas alterações seriam efetuadas, principalmente, pela diminuição da capacidade de concentração.
Raciocínio Fragmentado
A tecnologia está remodelando nosso cérebro, é o que afirma Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas e uma das cientistas que coordenaram o estudo. Segundo ela, as pesquisas mostram que o excesso de tarefas aliado ao acúmulo de funções e ao turbilhão de informações diárias contribui para o surgimento de problemas de concentração fazendo as pessoas perderem o foco mais facilmente. Além disso, como nos acostumamos a pensar fragmentadamente, o nosso cérebro leva essa características para outras atividades do dia-a-dia e, mesmo quando estamos desconectados, pensamos e realizamos diversas tarefas ao mesmo tempo.
Outra explicação para essa mudança na forma de pensar é encontrada na química. Sabe-se que ao ser superestimulado o cérebro produz dopamina, um neurotransmissor que, entre outras funções, é responsável pelas sensações de prazer e motivação. Essa substância pode ser viciante e, segundo os cientistas, na sua ausência as pessoas tentem a se sentir entediadas.
Outras Possibilidades
É preciso compreender, porém, que assim como a máquina de tear a vapor substituiu a destreza de tecer com as mãos, a tecnologia avançada de hoje também ficou no lugar algumas habilidades, mas, por outro lado, potencializou outras. Sabemos que celulares e computadores deixam as pessoas mais próximas e possibilitam maior mobilidade e a pesquisa mostrou também que pessoas que usam a internet tornam-se mais ágeis na busca por informações e que jogadores de videogame desenvolvem maior apuro visual.
A internet é considerada a maior revolução em comunicação pessoal desde o invento da televisão. De educação a namoro, de negócios a esportes, ela se tornou uma parte essencial a milhões de pessoas por influenciar praticamente quase todos os aspectos de suas vidas, inclusive na forma como pensamos. E você, qual é a sua relação com a internet e com as informações que ela oferece?
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