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 HOME Educa » FAMÍLIA » ACONTECE 
   NOTÍCIA POSTADA DIA 01-07-2009VOLTAR  
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OS 15 ANOS DO PLANO REAL Os 15 anos do Plano Real
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Os 15 anos do Plano Real.

O sistema monetário brasileiro mais bem sucedido em três décadas completou 15 anos no dia 1º de julho. O Plano Real foi criado durante o governo Itamar Franco pela equipe do então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso. Antes de se tornar uma moeda, o Real foi um plano concebido para reduzir a inflação, que em 1993 chegava a 1000% por ano.

Por isso, para entender a relevância do Plano Real é preciso conhecer as circunstâncias que levaram a sua criação. A inflação dos preços foi a maior causa da desvalorização monetária brasileira. Mas você sabe o que é inflação?

Inflação

É comum em noticiários de TV e jornais nos depararmos com índices inflacionários. Estes indicativos muitas vezes parecem ficar longe de nossa realidade, restritos apenas a bolsas de valores e mercados de ações, mas essa não é a realidade. Todos os bens que consumimos e os serviços que utilizamos sofrem aumento de preços por causa da inflação.

Quando uma barra de chocolate passa custar mais e um pacote de biscoitos fica mais barato isto não quer dizer que o sistema esteja equilibrado, pois, a taxa inflacionária é medida pela média geral dos preços. Digamos que o preço desses produtos, no intervalo de um ano, aumentou 5% no caso de um deles, reduziu-se 2,5% no caso de outro, a média inflacionária para o ano será de 2,5%.

Histórico

Ao longo dos anos a economia brasileira sofreu com os altos índices de inflação somados a planos de congelamentos de preços que pioravam o problema e baixavam a credibilidade do país diante dos investidores externos. Podemos identificar algumas dessas fases:

De 1974 a 1979, período marcado pelo primeiro choque do petróleo, que apanha o Brasil quase sem produção interna dessa fonte de energia e com endividamento crescente do país no exterior, numa tentativa imprudente de manter o crescimento no mesmo ritmo do período anterior;

De 1979 a 1985, quando a inflação, que já havia atingido 100% ao ano no período anterior, ultrapassa os 200% ao ano, na esteira de um segundo choque do petróleo e de um choque de juros que pegou o Brasil muito endividado e levou à moratória da dívida externa;

De 1986 a 1994, quando vários programas heterodoxos de estabilização, baseados no congelamento de preços, fracassaram e levaram a inflação a patamares superiores a 1000% ao ano;

De 1995 até agora, quando a inflação converge progressivamente para níveis muito próximos aos observados nos países desenvolvidos. 

O Plano Real

Antes de tudo, o Plano Real foi um programa para combater a inflação crônica brasileira. Era um roteiro de longo prazo, organizado em etapas que resultariam no fim das três décadas de inflação elevada e na substituição da antiga moeda pelo Real.

A primeira etapa do plano foi o Programa de Ação Imediata (PAI), um conjunto de ações imediatas elaborado em julho de 1993 (um ano antes do lançamento do Real). Entre as medidas do estavam o corte de gastos públicos, a recuperação da receita, o combate à sonegação fiscal, ajustes nos gastos dos estados e a privatização de empresas públicas.

A segunda etapa foi a criação da Unidade Real de Valor (URV) que, em maio de 1994 converteu o Cruzeiro Novo para uma referência mais estável de valor. A URV era uma quase moeda, porque servia de unidade de conta, de reserva de valor, mas não de meio de pagamento. Ou seja, os bens e serviços continuavam a ser pagos em Cruzeiros Novos, mas passaram a ter referência numa unidade de valor estável, mais ou menos como se fosse um substituto do dólar. Assim, a URV permitiu o alinhamento dos preços sem necessidade e as inconveniências do congelamento. A terceira fase começa com a emissão da nova moeda, o Real.

As razões do sucesso e o que ainda pode melhorar

Especialistas apontam quatro razões principais: o apoio da sociedade brasileira que havia chegado a um ponto máximo de saturação com a inflação, onde mesmo os setores e grupos que se beneficiavam dela estavam dispostos a virar aquela página da história. O aprendizado com a experiência fracassada dos planos anteriores (alguns dos "pais do Real" haviam participado do Cruzado 1). A maior abertura da economia brasileira às importações do que nas vezes anteriores (a possibilidade de importação disciplina os preços internos). E, por último, mas não menos importante, a liderança do então ministro da fazenda e depois presidente Fernando Henrique Cardoso, que conseguiu reunir uma equipe econômica qualificada, mobilizar força política na sociedade e no Congresso e, finalmente, conquistar dois mandatos presidenciais que permitiram avançar na consolidação da estabilidade econômica.

O maior teste para o Plano Real foi a recente crise econômica. A economia sofreu abalos, já que está interligada com o mundo, mas está em melhor estado do que a de nossos vizinhos de América Latina e até do que as economias de alguns países desenvolvidos. Entretanto é preciso manter as condições para que a inflação continue estável, para isso são necessárias algumas reformas como a previdenciária e trabalhista e ainda a redução da carga tributária (o Brasil tem uma das maiores taxas de impostos do mundo).