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Uma nação sem pátria luta pela criação de um Estado próprio. Consegue. Em 1948, o novo país é fundado e, desde então, a guerra entre o novo Estado e o que perdeu parte de suas terras parece não ter fim...
O que poderia ser o início de um roteiro cinematográfico, na verdade, é um breve resumo da criação do Estado de Israel e do conflito iniciado desde então. As invasões e bombardeios dos últimos dias são os acontecimentos mais recentes dessa guerra que já completou 60 anos.
A história do conflito é permeada por ataques suicidas de homens-bomba, terrorismo, lançamento de mísseis sobre cidades e inocentes, entre outras atrocidades cometidas por ambos os lados. Israel na luta pela soberania da nação judaica e Palestina na defesa de seu território.
As raízes do conflito são profundas e envolvem também países como o Egito e a Inglaterra, ambas as partes consideram as regiões disputadas como suas de direito, o que dificulta um acordo de paz. Mas quais são, de fato, as origens do conflito?
A Criação do Estado de Israel
Em 14 de maio de 1948, em Tel Aviv, foi criado o Estado de Israel. Os líderes do movimento sionista, que lutaram durante séculos pela criação de uma nação judaica, finalmente a estabeleciam sobre as terras de Canaã, que, segundo os judeus, é a Terra Prometida por Deus ao patriarca Abraão.
A fundação do Estado foi viabilizada numa votação da Organização das Nações Unidas (ONU) baseada em análises e estudos conduzidos pela Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina. A separação da região da Palestina em dois Estados, um árabe e um judeu, foi a solução encontrada para que cessassem os conflitos na região através de uma resolução internacional.
A Questão Palestina
Os árabes, moradores da região há séculos, protestaram sobre a competência da Comissão da ONU em decidir o futuro da região. Alegavam que o direito "natural" da maioria árabe é de permanecer com a posse indiscutível de seu país, já que está durante muitos séculos em possessão daquela terra. Como argumento, apresentaram os direitos do povo que habitou a Palestina, sem interrupção, desde muitos séculos.
Assim como os palestinos, Egito, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano, não concordaram com a resolução da ONU e, menos de um dia após a criação de Israel, o território foi invadido por esses países. As lutas que se prolongaram por mais de um ano deixaram cerca de 6.000 israelenses mortos e ficaram conhecidas como a Guerra da Independência. Ainda que fracamente armado, Israel derrotou os árabes e ocupou 75% das terras da região, iniciando um êxodo de palestinos que já soma cerca de 3 milhões de refugiados.
Cronologia das Guerras
A partir de 1949, Israel inicia a expansão de seu território com a invasão da Faixa de Gaza e do Sinai que após um acordo voltam a pertencer ao Egito e à Jordânia. Em 1967, acontece a Guerra dos Seis Dias, quando Israel conquista o deserto do Sinai, a faixa de Gaza (Egito), a Cisjordânia, Jerusalém Oriental (Jordânia) e as colinas do Golã (Síria).
Em 1972, palestinos matam 11 atletas israelenses na Olimpíada de Munique. Em retaliação, Israel mata líderes de guerrilhas palestinas. Um ano após, na Guerra de Yom Kippur, o Egito e a Síria atacam Israel ao longo do Canal de Suez e as Colinas de Golã. Israel consegue vencer os dois inimigos em três semanas.
Ao longo dos anos, diversos conflitos ocorrem até que em dezembro de 1987 surge a Intifada, levante palestino ocorrido na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Cerca de 1.500 palestinos e 400 israelenses foram mortos em conflitos nos seis anos seguintes. Em 1993 ocorre a primeira tentativa de paz entre israelenses e palestinos. O então presidente judeu, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, líder da Aliança Nacional Palestina (ANP), assinam os acordos de Oslo onde Israel se compromete a devolver os territórios ocupados em 1967 em troca de um acordo de paz definitivo.
No ano 2000, em Camp David, Israel oferece soberania aos palestinos em certas áreas de Jerusalém Oriental e a retirada de quase todas as áreas ocupadas, mas Yasser Arafat exigie soberania plena nos locais sagrados de Jerusalém e a volta dos refugiados. Diante da recusa de Israel, tem início a Segunda Intifada.
Em 2004 morre Arafat e Mahmoud Abbas vence as eleições, se tornando o novo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Um ano depois, seu partido, o Fatah, acusado de corrupção, colabora para a vitória do movimento rival Hamas, considerado terrorista por Israel, Estados Unidos e União Européia, levando o islâmico Ismail Haniyeh ao posto de premier. Sob o comando do Hamas, a ANP sofre boicotes internacionais que geram diversos outros conflitos incluindo o que vemos agora.
Os Últimos Ataques
O braço militar palestino lançou mísseis contra Israel que revidou aos ataques com mais mísseis e invasões por terra. Desde que teve início, o conflito gerou milhares de mortos, pobreza e fome, principalmente na faixa de Gaza onde estão muitos refugiados palestinos. A questão parece ser de intolerância entre os povos. O Hamas, ainda hoje não reconhece a legitimidade do Estado Israelense que, por sua vez, se recusa a negociar com a ANP por considerar o partido uma organização terrorista.
Enquanto isso, o mundo lamenta que a falta de diálogo e a violência utilizada em seu lugar levem tantos a vivenciar o sofrimento de uma guerra que parece não ter fim.
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