|
Uma pesquisa divulgada essa semana pela revista científica Nature revelou o mistério que envolvia as chamadas estrelas azuis. Para quem não as conhece, elas são mais conhecidas como nômades azuis, e são estrelas gigantes que se originam do que os cientistas chamam de "canibalismo estelar", um fenômeno caracterizado pelo ato de uma estrela "sugar" a outra.
Segundo cientistas britânicos e canadenses, nesse fenômeno, uma determinada estrela "suga" todo o plasma da outra para si, ficando cada vez maior. As nômades azuis são estrelas supermassivas e gigantes, e podem ser encontradas nos aglomerados globulares - conjunto com formato esférico que liga cerca de 100 mil estrelas pela força da gravidade. Em geral, são quentes e possuem uma aparência nova, ainda que não sejam.
Os aglomerados
Aglomerados estelares são conjuntos de estrelas que se formaram a partir de uma mesma nuvem em uma mesma época. As estrelas, nos aglomerados, possuem idade e composição química semelhantes, embora, dentro do conjunto, possam apresentar massas diferentes.
Os aglomerados estelares podem ser de dois tipos:
- Abertos ou galácticos - quando têm forma e dimensão variadas e estão concentrados no plano galáctico. - Globulares: têm forma aproximadamente esférica e estão distribuídos no halo galáctico, uma região esférica ao redor da Galáxia.
A origem - um verdadeiro mistério
Até agora, a origem das nômades azuis era um verdadeiro mistério para os astrônomos. Pesquisas antigas sugeriam que esses tipos de estrela eram formados a partir de colisões dentro dos aglomerados. A atual sugere um processo bem mais simples: ocorrem também nos aglomerados, mas não por colisão, e sim por extração de matéria uma da outra que auxilia na criação de uma ainda maior.
De acordo com os pesquisadores, esse fenômeno ocorre apenas nas chamadas estrelas binárias - um conjunto formado por duas estrelas bem próximas, ligadas gravitacionalmente ao redor de um centro de massa comum, dando a impressão de uma única estrela.
A pesquisa
Para chegar à conclusão do "canibalismo" estelar entre as nômades azuis, cientistas analisaram estrelas em 56 aglomerados globulares. Dessa análise, concluiu-se que há uma relação muito próxima entre o número de nômades azuis dentro de cada um dos aglomerados e a massa total no centro do conjunto.
Essa proximidade explica que quanto mais massa existir nos centros dos aglomerados, maior será a presença das estrelas binárias. É justamente essa presença que caracteriza a relação entre as binárias e as nômades nesses aglomerados, o que leva a crer, que o "canibalismo estelar" é o mecanismo primário na formação das nômades.
Christian Knigge, um dos autores do estudo nos aglomerados, afirmou que "essa é a mais forte e direta prova de que as nômades azuis são resultado de duas estrelas binárias."
|