Pesquisadores confirmam febre maculosa. Conheça a doença.
A morte repentina do engenheiro sul-africano William Charles Erasmus aqui no Brasil, na semana passada, deixou a população em estado de alerta. Segundo especulações, a morte teria sido provocada por febre hemorrágica originária da contaminação por arenavírus, um microorganismo relacionado a doenças severas e, por isso, muito temido.
Mas, de acordo com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), essa possibilidade foi descartada quando se descobriu, a partir de análises, que o óbito do engenheiro se deu por febre maculosa, doença provocada por bactérias vindas de carrapatos infectados.
Arenavírus: ainda um mistério
Embora sejam considerados vírus muito simples (RNA) ou retrovírus (caso de HIV), os arenavírus são numerosos e, na maioria dos casos, letais. São eles os principais causadores das febres hemorrágicas na América do Sul e na África.
Eles são temidos porque a maioria permanece "misteriosa" tempos depois de terem sido descobertas. Aqui no Brasil, a morte de uma mulher em São Paulo no ano de 1990 foi provocada pelo arenavírus Sabiá que desapareceu antes mesmo de sua origem ter sido identificada.
Ebola e Marburg, outros dois vírus letais e causadores de febres hemorrágicas na África, não são arenavírus. Porém os efeitos da febre hemorrágica provocada por arenavírus são tão graves e a doença é tão contagiosa quanto aquela causada por Ebola e Marburg.
E a febre maculosa, o que seria?
Também conhecida como febre das Montanhas Rochosas, febre do carrapato, febre negra ou doença azul, ela é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida ao homem, geralmente, pelo carrapato-estrela, ou carrapato-de-cavalo (espécie Amblyomma cajennense) infectado por essa bactéria.
A bactéria é um parasita celular que se multiplica nas células endoteliais e da musculatura lisa dos vasos sangüíneos. Durante sua multiplicação, produz enzimas tóxico-celulares. O hospedeiro principal da bactéria é o cavalo. O homem é o hospedeiro acidental e não transmite a doença que, por sua vez, não é contagiosa.
Conhecida no Brasil há mais de 70 anos (década de 20), a febre maculosa, se não for diagnosticada em tempo, pode matar o paciente em duas semanas.
Sintomas da doença
Após a picada pelo carrapato infectado, existe um período de incubação da doença, que pode durar de 2 a 14 dias. Subitamente, o paciente começa a apresentar febre alta, dores de cabeça e dores musculares. No quarto dia, geralmente, surgem manchas róseas nas extremidades, em torno do punho, tornozelo, tronco, face, pescoço, palmas das mãos e solas dos pés. Alguns casos podem agravar-se, ocorrendo necrose de tecidos. Nota-se também inchaço das pálpebras e rosto, bem como das pernas, tosse e queda de pressão.
Um dos problemas mais graves no diagnóstico da febre maculosa está na semelhança dos seus sintomas iniciais (febre, dor de cabeça...) com o de outras doenças comuns, como a gripe. Isso faz com que as pessoas, muitas vezes, não procurem o tratamento adequado no início do processo e a doença evolua para um quadro mais grave.
Medidas preventivas
Quando estiver numa área rural tome os seguintes cuidados:
- evite caminhar em áreas conhecidamente infestadas por carrapatos; - quando for necessário caminhar por essas áreas, vista-se adequadamente; - utilize barreiras físicas como calças compridas com parte inferior por dentro das botas, cuja parte superior deve ser lacrada com fitas adesivas de dupla face; - a calça e a camisa devem ser compridas e claras, para que se possa ver o carrapato que, quando adulto, atinge o tamanho de uma unha do dedo mindinho; - se o carrapato picar, é importante retirá-lo o mais rápido possível, a fim de diminuir o risco de infecção; - ao retirar o carrapato, deve-se fazê-lo bem junto a pele para não deixar as peças bucais do invertebrado no local onde ocorreu a picada. - fazer o controle químico nos animais domésticos através de banhos estratégicos de carrapaticidas.
O tratamento se faz com antibióticos, além de outros cuidados por causa de possíveis complicações, principalmente renais, neurológicas e pulmonares.
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