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Marina Silva, ministra do Meio Ambiente desde o primeiro mandato de Lula na presidência, deixou o cargo no último dia 13, para voltar à Câmara. Com isso, o País perde prestígio na cena mundial e na luta pela preservação do meio ambiente e manutenção da biodiversidade.
Formada em História pela Universidade Federal do Acre, Marina iniciou a carreira política em 1988, quando foi eleita vereadora de Rio Branco (AC). Dois anos mais tarde, se tornou deputada estadual e, em 1994, chegou ao senado federal como a mais jovem senadora do País. Ministra do Meio Ambiente desde o primeiro mandato de Lula na presidência, ela se julga, hoje, a pessoa que mais conhece a Amazônia dentro do governo.
Contudo, essa intimidade com o objeto de trabalho não foi suficiente para manter a deputada no Ministério. No dia da saída, ela disse aos integrantes de sua equipe não haver possibilidade de recuo e permanência no cargo. A ex-ministra vinha enfrentando obstáculos nos Ministérios da Casa Civil e Agricultura, para manter as duras políticas de preservação do bioma amazônico que desenvolvia e que sempre conflitaram com interesses econômicos.
A demissão
As dificuldades não se restringiam aos Ministérios. Segundo a assessoria de imprensa da ex-ministra, o próprio presidente Lula se colocava contrário às suas decisões.Especula-se ainda, que o motivo crucial para a demissão tenha sido a escolha de Mangabeira Unger para a chefia do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável (PAS), ao invés dela.
O Presidente se mostrou “surpreso” e “indignado” com a saída da deputada e reclamou que a notícia foi divulgada pela imprensa, antes que ele fosse oficialmente informado da decisão. Para ele, Marina travestiu a demissão e quis se colocar na “posição de vítima”.
Conjuntura externa
Em tempos de aquecimento global, a saída de Marina abala a imagem do Brasil no exterior. Destacada entre as 50 personalidades capazes de salvar o planeta, pelo jornal inglês The Guardian e premiada pela ONU com o "Champions of the Earth" (Campeões da Terra) de 2007, a ex-ministra era uma espécie de porta-estandarte da defesa do meio ambiente no Brasil e candidata a ganhar o prêmio Nobel da Paz. A comunidade mundial teme pelo futuro da Amazônia.
Em declaração à imprensa, Frank Guggenheim, diretor do Greenpeace, disse que "Agora o rei está nu, a roupa verde do presidente foi levada". Para Denise Hamú, secretária-geral do WWF "trata-se de uma clara demonstração de que a área ambiental não tem espaço no atual governo. Não bastassem as implicações dessa decisão, o pedido de demissão de Marina Silva terá uma repercussão muito negativa para o Brasil no exterior".
A situação é ainda pior porque no mesmo dia em que o cargo foi posto à disposição do Governo, a Câmara aprovou a medida provisória 422, que amplia de 500 para até 1,5 mil hectares a área que pode ser concedida pela União na Amazônia Legal sem licitação.
Isso quer dizer que um proprietário pode desmatar até 20% de sua propriedade na Amazônia, o que, na prática, pode contribuir significativamente para o desmatamento na região, acreditam os ambientalistas. Os Governistas dizem que a intenção é regularizar uma situação já comum na região.
A polêmica Medida nem mesmo foi discutida com o Ministério do Meio Ambiente, fato que sintetiza todos os problemas do processo, segundo os ambientalistas.
Quem entra...
Apesar das negativas nos primeiros dias, o escolhido para assumir o cargo é o secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc. Para alguns, a escolha reafirma a intenção do Governo Federal de priorizar o avanço do desenvolvimento econômico, com a execução de obras que podem colocam em risco o meio ambiente. No entanto, Lula afirma que o eixo da política já desenvolvida se manterá.
Empresários da terra
A possibilidade de abertura agrícola é esperada há muito pelos produtores rurais, que festejam a opção de Marina Silva. Para grande parte da opinião pública, porém, a questão relevante para esse momento não é simplesmente se haverá abertura agrícola na Amazônia, especialmente porque o governo já demonstrou que ela ocorrerá, com a aprovação da Medida Provisória 422. O cerne da discussão seria, na realidade, se o novo ministro Carlos Minc, claramente favorável à abertura agrícola na região da Amazônia, mas bastante suscetível a pressões governistas, continuará as políticas ambientais desenvolvidas pela última mandatária, ou trabalhará pelo "desenvolvimento predatório" da região.
Confira mais sobre o assunto no texto "Querida Marina", de Frei Betto, colunista da semana.
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