Egito: pesquisadores descobrem 50 tumbas com múmias de período faraônico.
O ministro de Cultura egípcio, Farouk Hosny, anunciou no último domingo a descoberta de uma coleção com cerca de 50 tumbas que guardam, em bom estado, múmias pertencentes a vários períodos faraônicos. O achado foi feito por um grupo de arqueólogos na região de Al Fayoum, a 100 quilômetros ao sudoeste do Cairo. A região, conhecida como Lahun, abriga a pirâmide que também recebe o mesmo nome.
Os sarcófagos encontrados nos túmulos são de madeira pintada e conservam as múmias em ótimo estado. Sobre eles observa-se uma vendagem decorada com passagens religiosas do Livro dos Mortos e cenas que representam diferentes deuses do antigo Egito.
O período faraônico
No Antigo Egito, o nome Faraó era atribuído aos reis com estatuto de deuses. Eram eles, que sob poder absoluto na sociedade, decidiam sobre a vida política, econômica, militar e religiosa da época. A transmissão de poder no Egito era hereditária. Sendo assim, um faraó era escolhido para governar não por meio de votos, mas por ter sido filho de outro faraó. Por isso, muitas dinastias perduraram no poder por centenas de anos.
Para os egípcios, estes governantes eram filhos diretos do deus Osíris (deus dos mortos), logo, agiam como intermediários entre os deuses e a população. Todos os impostos arrecadados no Egito eram concentrados nas mãos do faraó, que decidia como os tributos deveriam ser utilizados.
A maior parte desse valor era destinada à própria família do faraó e utilizada para construção de grandes monumentos, palácios, compra de jóias etc. O que restava, era destinado ao pagamento dos escribas, sacerdote, militares, administradores e para a manutenção do reino.
Túmulos eram construídos ainda em vida
A construção da pirâmide de um faraó era feita ainda em vida, pois esta serviria de túmulo para o seu corpo. Depois de pronta, a pirâmide era vista como uma espécie de proteção para o corpo mumificado do filho do deus vivo e seus tesouros, já que os egípcios acreditavam na vida após a morte.
Além dos corpos, na tumba era depositado também o Livro do Mortos, que continha um tipo de biografia descrevendo todas as coisas boas que o faraó fez em vida. Esse documento era de grande importância, e inclusive acreditava-se que Osíris o utilizaria para julgar os mortos.
Missão arqueológica
Liderada por Abdul Rahman Al-Ayedi, a missão possibilitou a descoberta de quatro cemitérios datados de épocas muito importantes para a civilização egípcia. O primeiro data a primeira e a segunda dinastia (2750-2649 a.C.). O segundo pertenceu ao reino médio (2030-1660 a.C.), e o terceiro e o quarto são datados do reino novo (1550-1070 a.C.) e outro do período tardio (724-343 a.C.), respectivamente.
Os cemitérios da primeira e segunda dinastia são compostos por 14 túmulos, onde os pesquisadores encontram um sarcófago de madeira com uma múmia envolvida em linho e vários objetos funerários. Pela missão foram descobertos também quatro poços com vasilhas de barro nas quatro esquinas do templo do rei Senusret II.
Curiosidade
Alguns faraós e seus feitos:
- Tutankamon – Governou o Egito de 10 a 19 anos de idade. O faraó menino morreu assassinado. A pirâmide de Tutankamon foi descoberta em 1922 e de dentro dela havia, além do sarcófago e da múmia, muitos tesouros.
- Tutmés I – Foi responsável pela conquista de grande parte da Núbia, conquistando territórios até a região do rio Eufrates.
- Tutmés III – Após derrotar o reino de Mitani, consolida o poder egípcio no continente africano.
- Ransés II – Fez com que o reino egípcio obtivesse grande desenvolvimento e prosperidade através da busca por relações pacíficas com os hititas.
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