A Mona Lisa é um autorretrato do pintor?
A Mona Lisa, ou La Gioconda, é um dos quadros mais famosos do pintor italiano Leonardo da Vinci. Iniciada em torno do ano de 1500, a pintura tem aproximadamente a idade de nosso país e carrega consigo alguns mistérios. Até hoje, por exemplo, não se sabe quem é a mulher retratada. Alguns historiadores afirmam que se trata da esposa de Francesco del Giocondo, um comerciante de Florença. Outros acreditam que seja Isabel de Aragão, Duquesa de Milão, para a qual da Vinci trabalhou por alguns anos. Existe ainda a hipótese de que seja a mãe do pintor, porém uma das possibilidades mais debatidas ultimamente é a de que a pintura seja um autorretrato.
Baseados na última suposição, pesquisadores italianos querem exumar o corpo de da Vinci para reconstruir sua face e compará-la com os traços da Mona Lisa e de seu Autorretrato. Segundo os cientistas do Comitê Nacional para a Valorização dos Bens Históricos, Culturais e Ambientais da Itália, as sobreposições feitas com programas de computação gráfica revelam muitos pontos e traços em comum entre as duas faces, o que só reforça a teoria. Para o antropólogo da Universidade de Bolonha Giorgio Gruppioni, somente a partir da exumação do corpo do pintor e da reconstrução de sua face seria possível solucionar o mistério.
Desafios
O primeiro desafio da empreitada é encontrar os restos mortais de da Vinci. O artista, que morreu em 1519 aos 67 anos, teria sido enterrado no castelo de Amboise, no vale do Loire, na França. Os herdeiros da propriedade já foram procurados e vão colaborar com as buscas que devem começar nos próximos meses. O que não se sabe, porém, é se a sepultura está realmente localizada no castelo ou se ela está conservada, isso porque o local foi alvo de saques ao longo dos séculos.
A busca pela sepultura é outro desafio a ser vencido, pois o castelo de Amboise, construído do século XI, é Patrimônio Mundial da Unesco. Por este motivo, o presidente do Comitê, Silvano Vincenti, afirma que a procura será feita sem a prática de grandes escavações. As incursões devem ser realizadas com microssondas, uma câmera para filmar o interior da tumba e exames de imagens tridimensionais para verificar o estado do túmulo e a presença de ossos.
Identificação
Uma vez encontrados os ossos será a hora de identificá-los. Para isso vai ser necessária a realização de um exame de DNA. Cogitou-se a possibilidade de encontrar descendentes vivos de da Vinci, porém como é algo praticamente impossível, as buscas irão se concentrar nos cemitérios da Itália, na região da Bolonha, onde parentes próximos de Leonardo podem estar sepultados.
O ponto de partida para os exames deve ser um pintor, enterrado em Bolonha, na virada dos séculos XV e XVI, que seria um descendente de linha paterna do artista, mas a pesquisa ainda deve ser mais aprofundada.
Como será feito o DNA?
A sigla DNA, como sabemos, significa ácido desoxirribonucléico e é, na verdade, uma molécula presente em todas as células de qualquer organismo vivo. No DNA estão presentes as informações genéticas e os códigos que diferenciam um ser de outro. Em outras palavras, ele é como uma identidade, uma impressão digital molecular. Por isso, quando se deseja comprovar algum grau de parentesco entre pessoas, ou mesmo identifica-las, é realizado um exame de DNA.
O procedimento que será realizado para a identificação do corpo de Leonardo da Vinci é padrão. Ele começa separando o DNA do resto das células, por meio de detergentes e centrifugações. Em seguida, são aplicados pedaços de DNA sintético, marcados com corante, que se ligam aos trechos a serem examinados. Depois, em um processo chamado eletroforese, os pedaços de DNA são separados por uma corrente elétrica de acordo com seu tamanho. Finalmente, um equipamento a laser faz a leitura dos corantes e produz uma imagem computadorizada que pode ser analisada pelos especialistas. Este método é aplicado às duas amostras de DNA que são confrontadas. Somente após essa comparação será possível afirmar a identidade de da Vinci.
Etapa final
O último passo será a reconstrução do crânio, que poderá estar fragmentado. Serão usados sistemas virtuais e métodos de morfologia para recompor as partes ausentes. A equipe seguirá o protocolo de antropologia forense, modelando o rosto e as partes moles do crânio com o auxílio de artistas seguindo critérios anatômicos e científicos. Após a recriação do rosto de da Vinci serão realizadas as comparações com as pinturas.
Para o antropólogo, Gruppioni, entretanto, o mais importante nessa investigação é encontrar os restos mortais de Leonardo da Vinci e não descobrir se ele era homossexual ou costumava pintar autorretratos com traços femininos. "Acho que teremos fila para visitar a tumba de Leonardo caso a pesquisa chegue ao final com sucesso e desvende mais este mistério", concluiu.
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