Relatório aponta que país acumulou mais de duas toneladas de urânio enriquecido.
De acordo com um relatório publicado ontem, 31, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), o Irã acumulou mais de duas toneladas de urânio enriquecido. O resultado aumentou a preocupação sobre o fato de que o país esteja desenvolvendo a capacidade de construir armas nucleares.
Embora o país persa afirme que não deseja fabricar armas e que todo acúmulo de urânio é para produção de energia, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Rússia, China, Reino Unido e França - são contra o armazenamento, por entender que duas toneladas do material seriam suficientes para produzir duas ogivas nucleares.
O conselho apoia uma quarta rodada de sanções da ONU contra o Irã pelo fato do país se recusar a deixar de enriquecer urânio.
Urânio Enriquecido
O processo de enriquecimento de urânio permite a produção de combustível para alimentar uma central nuclear. Outra função é a produção de material para o desenvolvimento de uma bomba atômica. O urânio é extraído de pedreiras ou de minas e não pode ser encontrado em sua forma natural, mas misturado a outros elementos diversos. O mineral bruto contém apenas 0,3% de urânio.
No processo de enriquecimento, o urânio é separado dos demais elementos minerais e o que sobra é o óxido de urânio. Depois dessa etapa, o material resultante é convertido em um composto gasoso, chamado de hexafluorido de urânio. O hexafluorido é processado em centrífugas nucleares para ser enriquecido e transformado em combustível.
Todo o gás é submetido a rotação em velocidades extremas. O gás recuperado no centro da centrífuga é enviado para um novo processo de centrifugação, aumentando o grau de concentração de urânio. Para a construção de uma bomba atômica, é necessário ter pelo menos uma taxa de 90% de urânio enriquecido. Já para alimentar um reator nuclear de uso civil, é preciso uma taxa que esteja entre 3% e 5%.
Irã está disposto a aceitar acordo, mas EUA é contra
O acordo intermediado sugerido pela AIEA há sete meses, que previa que o Irã deveria exportar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento à Rússia e a França para serem transformados em combustível nuclear, não foi aceito pelo país.
Na ocasião, o Ocidente aprovou a oferta porque ela faria com que o Irã reduzisse em 1000 quilos a sua quantidade de urânio, material suficiente para a produção de uma bomba nuclear.
Embora tenha rejeitado a oferta na época, o Irã agora se mostra favorável a exportar a mesma quantidade de material. Além disso, o país ressaltou o apoio do Brasil e da Turquia para a diminuição da pressão por uma nova rodada de sanções.
Mas a nova decisão do Irã não está sendo aceita pelos EUA e seus aliados, já que segundo relatório da AIEA, o país já enriqueceu 2.427 quilos a pouco mais de 3% de urânio. Isso significa que o envio agora de 1.200 quilos ainda deixaria o Irã com material bastante para fabricar uma arma atômica.
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