Prejuízos devem chegar a US$ 320 milhões.
As águas-vivas são fascinantes animais marinhos cujo corpo é formado por 99% de água. Elas podem medir de 2,5cm a 2m de comprimento e possuem um veneno causador de urticária e que, em alguns casos pode levar à morte. Estes animais vivem nos mares do mundo inteiro mas, em determinadas ocasiões podem se agrupar em grandes contingentes, causando problemas.
É o que vem ocorrendo agora no Japão, com a presença de águas-vivas gigantes que chegam a pesar até 200 quilos, levadas pela corrente marítima até a costa do Japão, vindas do Mar Amarelo, na China.
Os prejuízos
A indústria pesqueira japonesa calcula que os prejuízos devem chegar a US$ 320 milhões. Em algumas regiões a produção de frutos do mar pode cair 80% em relação ao ano passado. Esta queda, para um país no qual a pesca é uma das atividades mais importantes, é preocupante.
A invasão prejudica de muitas formas. Além de estragar as redes de pesca, as águas-vivas podem ferir humanos e matar peixes com seu veneno. Em 2005, a indústria pesqueira japonesa registrou mais de 100 mil casos de danos causados por águas-vivas gigantes. No pico da invasão naquele ano, cerca de 300 a 500 milhões de animais passaram diariamente pelo Estreito de Tsushima em direção ao Mar do Japão. No ano seguinte, uma estação nuclear chegou a parar de funcionar porque a tubulação usada para resfriar os reatores ficou entupida de águas-vivas.
Para minimizar os prejuízos, empresas locais desenvolveram redes de pesca mais fortes e cientistas desenvolvem métodos para extrair colágeno dos animais para ser usado em cosméticos e até em comida.
A causa
Este fenômeno teve seu primeiro registro em 1920 e o ciclo girava em torno de 40 anos, voltou a acontecer em 1958 e 1995. Entretanto, desde 2002, a invasão tem ocorrido anualmente. Especialistas apontam diversas razões para a intensificação do fenômeno, entre elas estão as mudanças radicais na fauna marinhas japonesa, modificações da costa pelo homem, poluição e aumento na temperatura da água.
As causas são muitas e ainda precisam ser investigadas, mas, além daquelas já citadas, podemos identificar uma característica gritante da industria pesqueira japonesa: a pesca indiscriminada. Todos os anos o Japão retira do mar cerca de 12 milhões de toneladas de peixe, outros 1,5 de toneladas são criados em cativeiro. Toda essa produção não permite que a fauna se renove. As águas-vivas perdem predadores e concorrentes pela comida e passam a se reproduzir em maior quantidade.
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