|
Um arquipélago localizado a cerca de 500 Km da costa da patagônia é alvo de uma longa disputa entre Reino Unido e Argentina. Conhecido pelos argentinos como Ilhas Malvinas e pelos ingleses como Falklands, o território é composto por duas ilhas principais (Grande Malvina e Ilha Solidão) e diversas outras menores.
Os dois países disputam a posse das ilhas há aproximadamente 200 anos, e chegaram a travar uma guerra pelo direito de exploração do território em 1982. Após a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de que nada poderia ser feito nas ilhas sem o consentimento das duas nações a questão pareceu se abrandar. Porém, há algumas semanas, a polêmica aparentemente adormecida se reacendeu com a perfuração do primeiro poço de petróleo na região. A empreitada iniciada pela exploradora Desire Petroleum trouxe de volta a pergunta “a que país pertencem as Malvinas?”.
Um território rentável
A região das Ilhas Malvinas está ocupada pelos ingleses desde o século XIX quando faziam parte do imenso Império Britânico. Mesmo após a Segunda Guerra, com a descolonização da América do Sul, o arquipélago continuou sob domínio da coroa inglesa. Até então não se havia descoberto a maior riqueza da região, os poços de petróleo. Não se pode ter certeza sobre a data em que os britânicos descobriram petróleo nas ilhas assim, existem fortes suspeitas de que essa possibilidade tenha sido um motivo relevante para o confronto de 1982.
Seja como for, segundo o serviço geológico dos Estados Unidos, o mar ao redor das Malvinas poderia conter até 17 bilhões de barris de petróleo. E foi por causa dessa fortuna que a Desire Petroleum decidiu começar a exploração no local. O avanço na perfuração aumentou as tensões entre Argentina e Reino Unido. Considerando as atividades ilegais, o governo argentino bloqueou o carregamento de dutos em um navio que o país alegava ter operado nas Malvinas e pretende exigir que todas as embarcações que atravessem suas águas com destino ao arquipélago obtenham autorização das autoridades locais.
Diálogo e busca por apoio
Sobre a possibilidade de um novo conflito armado o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, afirmou que o país não irá recuperar a soberania sobre as Malvinas através de armas. Em declarações reproduzidas no site oficial do governo, Taiana afirmou: “quem está usando a força é o Reino Unido, utilizaremos todos os recursos do direito internacional.”. E foi na Cúpula do Grupo do Rio, evento realizado no México e que reuniu representantes de 32 países da América Latina e Caribe, que a presidente Cristina Kirchner buscou apoio.
Durante a reunião, o apoio à soberania Argentina sobre as Malvinas foi unânime. O presidente Lula declarou que não é possível que um país a 14 mil quilômetros exerça algum poder sobre as ilhas e questionou a ONU: "qual é a explicação política das Nações Unidas para que não tenham tomado uma decisão?”. Outro recente apoio foi dado pelo governo dos EUA. Após receber criticas de Kirchner, Obama enviou sua secretária de estado, Hillary Clinton, a Buenos Aires para se encontrar com a presidente. A secretária afirmou, porém, que os Estados Unidos não devem se envolver na decisão, apenas estimular o diálogo.
A reação inglesa
O governo inglês se mostrou contrário ao envolvimento dos EUA na questão. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, declarou não achar necessária a intervenção de outro país na questão. Além disso, comentou que o Reino Unido acredita que a extração de hidrocarbonetos das águas do arquipélago é tanto "a coisa certa a fazer" quanto "inteiramente legítima".
É preciso lembrar que algumas questões como orgulho nacional e controle de um território em posição estratégica estão envolvidas nessa discussão o que deve deixar a solução para o fim de uma longa e difícil negociação.
Relembrando a Guerra das Malvinas
A Guerra das Malvinas foi o maior e mais sangrento conflito na América Latina no século XX. Ocorrida na década de 80, quando a Argentina era governada por uma ditadura militar, o confronto foi utilizado para tentar recuperar o prestígio do governo. A invasão argentina ao território ocorreu em março de 1982, em pouco tempo de conflito os ingleses organizaram um cerco à cidade de Port Stanley, uma das principais do arquipélago. O despreparo tático e a precariedade das armas impediram que as tropas argentinas resistissem por muito tempo. Em 14 de junho de 1982 a Inglaterra restabeleceu a hegemonia sobre as Ilhas Falkland
Após a derrota, a enorme crise inflacionária com porcentagem de 600% ao ano e os movimentos populares contra a repressão militar causaram a queda da ditadura. Na Inglaterra, o conflito fortaleceu a imagem política de Margaret Thatcher, que conseguiu se reeleger como primeira-ministra.
|