País estaciona no ranking de Desenvolvimento Humano.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o instrumento criado pelos economistas membros da ONU, Mahbud ul Haq e Amartya Sen, para medir o nível de desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas. Para tanto, esse índice considera outros indicadores além dos econômicos, assim, um determinado país pode ter altos índices de renda e possuir um IDH baixo. Isto acontece porque as outras variáveis incluídas no índice, como renda per capta, longevidade e educação, têm um grande impacto no resultado final.
A graduação do IDH vai de 0 à 1 e considera países acima de 0,9 com altíssimo desenvolvimento humano. Índices acima de 0,8 são considerados altos e, entre 0,5 e 0,8 médios. Países com IDH inferior a 0,5 são considerados com baixo nível de desenvolvimento.
O Histórico do Brasil no IDH
O Brasil é o país que mais evoluiu no IDH. Em 26 anos subiu mais de quinze posições no ranking. No ano de 1975, o índice brasileiro era de 0,644 e em 2006 chegou a 0,808, ou seja, o Brasil passou de médio para país com alto desenvolvimento humano.
Esse avanço aconteceu principalmente porque o Brasil melhorou os seus índices de educação e expectativa de vida. Um dos responsáveis pela melhora foi a equiparação do número de meninos e meninas matriculadas na escola, eqüidade de oportunidades a homens e mulheres.
O ranking divulgado no ano passado foi medido em 2006 e colocou o Brasil como o 75º. Na época, a maior responsável pela colocação brasileira foi a educação, monitorada através dos indicadores taxa de alfabetização dos jovens maiores de 15 anos e número de alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio. O número de alfabetizados aumentou de 88,6% para 89,6%. Atualmente, a taxa de analfabetismo no Brasil é de 10,4% o que dá ao país o 65º lugar no ranking educacional do IDH. Esta colocação corresponde à melhor pontuação alcançada pelo Brasil desde que o índice foi criado e, pelo menos neste quesito, o deixa próximo do IDH 0,9.
Crescimento Estacionado
Em 2008 o Brasil teve um crescimento de 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, esse crescimento não foi suficiente para que o país subisse posições no IDH. Os dados divulgados essa semana (referentes ao ano de 2007) mostram que, em valores absolutos, o país obteve uma pequena melhora: passou de 0,808 para 0,813, mas na classificação geral se manteve na 75ª posição.
Mais uma vez os vilões do IDH no Brasil foram a saúde e a desigualdade de renda. No primeiro indicativo, o país ficou em 81º no ranking, já no segundo, mostrou resultados piores do que economias pobres como o Níger e a Namíbia. Enquanto no Brasil os 10% da população mais rica concentram 40 vezes mais renda que os 10% mais pobres, nos dois países africanos, a média de concentração de renda das classes mais altas é 13 vezes maior. Estes dados fazem do Brasil a 7ª economia mais desigual do mundo.
Como Voltar a Crescer?
O Programa de Desenvolvimento para as Nações Unidas (PNUD) destacou em seu relatório o gradual crescimento que o Brasil obteve no ranking e chamou atenção para os resultados dos vizinhos de América Latina que não evoluíram da mesma maneira. No entanto, para o órgão, ainda há muito que fazer para melhorar as condições humanas no Brasil e a solução estaria na criação de políticas interligadas e não apenas no investimento em criação de renda.
O Ministério da Saúde argumenta, porém, que os dados estão defasados e não correspondem à realidade atual. O governo aponta o recente crescimento da renda per capta como fator de melhoria na situação social e na redução das diferenças entre ricos e pobres.
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