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No início deste ano, o Haiti - um dos países mais pobres das Américas - foi assolado por um terremoto que destruiu a região e vitimou cerca de 250 mil pessoas. Embora passados seis meses do incidente, o país ainda não conseguiu sequer entrar na fase de reconstrução. Segundo informações, o excesso de escombros pelas ruas é um dos principais motivos para a lentidão no esforço que o país caribenho vem fazendo para superar a tragédia.
Estima-se que o tremor, que alcançou 7 graus na escala Richter, tenha deixado 20 milhões de metros cúbicos de entulho e o total recolhido esteja entre 5% e 10%. De acordo com o brasileiro Ricardo Seitenfus, representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti, a limpeza dos escombros é essencial para o começo de uma reconstrução no país. “O Haiti ainda vive sob escombros. E enquanto o excesso de entulho e lixo não for recolhido das ruas de forma significativa, a reconstrução continuará para depois”, diz ele.
Relembrando...
O pior e mais violento tremor ocorrido no Haiti desde 1770 foi causado pelo deslocamento da falha na crosta terrestre, conhecida como Enriquillo-Plaintain e seguido por outros 30 tremores com magnitudes de até 5,9 graus. Esses abalos secundários são comuns e podem durar até 5 dias.
O Haiti tem uma trágica história de catástrofes naturais e em 2008 cientistas já haviam alertado para o risco elevado de um terremoto desse porte na região. A capital do país é especialmente vulnerável, pois está localizada no limite das placas caribenha e norte-americana.
O retrato da tragédia
A energia liberada pelo terremoto foi equivalente à de 30 bombas nucleares como a de Hiroshima. O que num país pobre e com uma infraestrutura precária como a região haitiana se torna fatal, já que os prédios e as casas são simples e mal construídas. Na ocasião, tudo veio ao chão. Segundo o governo haitiano, atualmente, o número de desabrigados chega a 1,5 milhão de pessoas. A maioria delas, vive sob barracas de lona montadas nas ruas.
De acordo com a ONU, a construção de moradias temporárias é um dos grandes desafios para a estabilidade do país. Até o momento, 3.700 dessas moradias já foram construídas. A meta é chegar a 125.000 nos próximos 12 meses.
Além dos desabrigados, a tragédia trouxe outro problema para o país; fez surgir 1.240 campos de refugiados, com apenas 206 deles reconhecidos oficialmente.
Reconstrução custará US$ 11,5 bilhões
No longo prazo, o governo haitiano estima que a reconstrução do país deverá custar US$ 11,5 bilhões. Para ajudar, um grupo de países (entre eles o Brasil), estabeleceu, logo depois da tragédia, um caixa de fundo internacional no valor de US$ 5,3 bilhões para serem gastos na reconstrução do Haiti até 2011.
O problema, segundo organismos internacionais é a demora com que o dinheiro está sendo liberado. A diretora-sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Jessica Faieta, afirma que é lenta a liberação dos valores. “A ajuda financeira internacional não tem chegado ao país na velocidade que esperávamos”, diz.
Até o momento, dos mais de 20 países doadores, apenas Brasil, Noruega e Venezuela fizeram seus depósitos no fundo de reconstrução.
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