Após 74 anos, Cuba volta a integrar Organização dos Estados Americanos.
Após 47 anos, Cuba volta a fazer parte da Organização dos Estados Americanos (OEA), segundo anúncio oficial feito pelo presidente de Honduras, Manuel Zelaya, na última quarta-feira. A medida (datada de 1962) - que suspendia Cuba do grupo - foi revogada, abrindo caminho para uma nova reintegração, afirmaram especialistas.
O que é a OEA?
A Organização dos Estados Americanos é uma instituição que visa o fortalecimento dos valores democráticos, bem como a defesa de interesses comuns em nível mundial. O órgão busca debater temas regionais e mundiais como pobreza, terrorismo, drogas e corrupção.
A OEA possui quatro idiomas oficiais: Inglês, Espanhol, Português e Francês e, segundo organizadores, reflete a rica diversidade das culturas e dos povos do hemisfério. É composta por 35 países membros: as nações independentes das Américas do Norte, Central, do Sul e Caribe.
Um dos países-membro, Cuba, teve sua participação suspensa em 1962 e, por isso, apenas 34 governos tinham participação efetiva.
Cláusula define participação
A decisão - tomada durante a primeira reunião do governo Barack Obama com países da América Latina - deixou bem claro que a nova resolução abre espaço para a volta de Cuba ao sistema interamericano. Contudo, uma cláusula define que “a participação do país será resultado de um processo de diálogo iniciado a pedido do governo de Cuba e em conformidade com as práticas, propósitos e princípios da OEA”.
Fim da Guerra Fria?
A revogação foi feita "sem condições" como queriam os EUA, porém estabeleceu mecanismos para o retorno de Cuba, e um deles é que o país cumpra as convenções da OEA sobre direitos humanos.
A medida de 1962 foi adotada durante o período da Guerra Fria e proibia Cuba de participar das reuniões da organização por conta de suas orientações marxistas, instauradas por Fidel Castro, dois anos depois da revolução contra o ditador Fulgêncio Batista. Após a Assembleia que definiu a volta do país ao grupo, Manuel Zelaya afirmou que este momento se caracteriza, de fato, como o fim da Guerra Fria.
Relembrando a Guerra...
O efeito mais imediato no período seguinte à 2ª Guerra Mundial, que acabou em 1945, foi a divisão do mundo em dois blocos de influência: um capitalista, liderado pelos Estados Unidos e o outro, socialista, liderado pela União Soviética. A este conflito ideológico foi dado o nome de Guerra Fria. Neste momento, o mundo ficou caracterizado pela bipolaridade.
Durante aproximadamente quarenta anos, entre 1945 e 1991, as duas superpotências controlavam, direta ou indiretamente, inúmeros países aliados, que estavam sob sua influência. Estes países, como Cuba, Coreia e Vietnã, tinham autonomia, possuíam governos próprios, mas estavam envolvidos na Guerra.
1962 na história...
O ano de 1962 foi provavelmente o momento da história em que a possibilidade de um conflito nuclear entre americanos e soviéticos esteve mais próxima. A chamada crise dos mísseis cubanos iniciou-se em outubro, na pequena ilha de Cuba localizada a aproximadamente 150 quilômetros do estado da Flórida nos Estados Unidos.
Cuba havia se tornado socialista em 1961, após uma revolução que depôs o ditador Fulgêncio Batista em 1959, e levado ao poder Fidel Castro que, após ser ameaçado pelos Estados Unidos, aproximou-se da União Soviética.
Em 1961 os Estados Unidos iniciaram a instalação de mísseis nucleares na Turquia, próximo à fronteira da União Soviética e em abril do mesmo ano apoiaram uma fracassada tentativa de desembarque na baía dos Porcos, em Cuba, para derrubar o governo de Fidel Castro.
A expulsão de Cuba
Cuba foi expulsa da OEA em janeiro de 1962 por pressão do governo americano, na época presidido por Johh Kenedy. O motivo apresentado foi o fato de Cuba ter adotado o comunismo. A expulsão acelerou sua aliança com a União Soviética. Na ocasião, vários governos ligados aos EUA decidiram cortar os laços diplomáticos com Cuba.
Ex-presidente é contra
A decisão história da última quarta-feira gerou uma onda de otimismo, embora a entrada de Cuba no órgão dependa exclusivamente de seus próximos movimentos. A organização espera que a Ilha se manifeste e peça sua entrada, fato que não ocorrerá, segundo a opinião de Fidel Castro.
O ex-presidente declarou, um dia antes da decisão, que a OAE é “cúmplice dos crimes dos Estados Unidos” contra Cuba e que seria ingênuo crer nas boas intenções de Barack Obama, já que as mesmas não justificam a existência da instituição.
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