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O protecionismo - prática que prega uma série de medidas a serem adotadas para favorecer as atividades econômicas internas - começou a ganhar força sobre o comércio internacional e pode ser um dos responsáveis por desencadear, no cenário da crise mundial atual, o que os especialistas chamam de "Guerra Comercial."
Em reunião pelo Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça, representantes da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia) já deram indícios dessa nova "guerra": anunciaram que vão contestar uma das cláusulas do pacote americano, o "Compre América", que proíbe a compra de ferro e aço estrangeiros.
Entendendo o protecionismo
Visando reduzir e dificultar ao máximo a importação de produtos externos e a concorrência estrangeira, o protecionismo é uma forma de proteger a economia nacional da concorrência externa. A medida pretende garantir a criação de empregos e o desenvolvimento de novas tecnologias no país.
O protecionismo é utilizado por quase todos os países, mas no caso dos EUA, a medida está sendo vista como uma ameaça à economia da Europa e a do Brasil, que no caso é o maior exportador de ferro e um dos maiores exportadores de aço do mundo. A proibição de compra está justamente nos projetos de infraestrutura financiados pelo governo americano, que de certa forma atingirão em grande escala Brasil e Europa.
Pacote Americano
O "Compre América", é uma das cláusulas do pacote de US$ 819 bilhões já aprovado pela Câmara de Representantes dos Estados Unidos e, segundo rumores, caso seja confirmada pelo Senado, poderá repercutir mundialmente como a primeira disputa na área econômica entre europeus e o novo presidente americano Barack Obama.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) - que tem como papel promover a liberalização do comércio internacional e é responsável pela fiscalização do comércio entre os países e dos atos protecionistas mundiais - está sendo um dos alvos europeus. Segundo declarações da Comissária de Comércio da UE, Catherine Ashton, a aprovação dessa cláusula é uma violação dos compromissos da OMC, e por isso o conselho não deixará passar "em branco".
Crise financeira está gerando o protecionismo
De acordo com Pascal Lamy, diretor-geral da OMC, as conseqüências da crise financeira estão provocando pressões protecionistas. "O tecido econômico e social foi atingido, tem muita ansiedade, o desemprego está crescendo e economias estão encolhendo", disse ele.
Ainda em declaração pelo Fórum Econômico Mundial, Lamy disse que tentar erguer barreiras para proteger empregos irá provocar um efeito contrário, já que barreira gera barreira, e certamente outras também começarão a se erguer por todos os lados.
Para ele, existem várias formas de lidar com a insegurança social e sair da crise que tomou o mundo hoje. Uma delas é o Livre Comércio - prática que prevê o fim das tarifas alfandegárias e a queda de qualquer empecilho no comércio entre os países. Mas, enquanto Lamy discursa sobre livre comércio, Bill Clinton, ex-presidente americano, defende o plano de Obama e afirma que não está na hora de acordos comerciais. "As pessoas estão com temor agora. Não é uma boa hora para termos acordos comerciais", afirmou ele.
O lado negativo da prática protecionista
Segundo Marco Pólo Lopes, vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), o "Compre América" é um dispositivo emergencial de Obama para tentar estimular o consumo interno de aço. Porém essa mesma medida pode prejudicar o setor no país, já que a prática protecionista também possui seu lado negativo.
Ele é vantajoso porque procura proteger a economia nacional, contudo pode, em alguns casos, fazer com que o país perca espaço no mercado externo. Além disso, ele tende a provocar atrasos na área tecnológica e acomodação por parte das empresas nacionais, tendo em vista que essas medidas tendem a protegê-las. No caso dos EUA, o protecionismo pode aumentar os preços internos e dar um efeito contrário ao que se espera.
Vale lembrar também que a redução do comércio, uma conseqüência quase natural do protecionismo, gera o enfraquecimento de políticas de combate à fome e a estagnação do desenvolvimento de países pobres.
Será que estamos realmente próximos de viver uma Guerra Comercial? Acompanhe as notícias e aguarde o resultado final do Fórum.
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