Novo modelo de aprovação privilegia a capacidade de raciocínio.
Quem já prestou vestibular alguma vez já sabe: o período de provas é de tensão máxima. Os nervos ficam à flor da pele e o medo de não passar faz estremecer até o mais confiante dos alunos.
Uma proposta, já encaminhada à Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), pretende substituir os vestibulares atuais por uma avaliação única, a partir da reestruturação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O modelo de provas atual privilegia a memória, a capacidade do aluno de guardar informações sobre a matéria e os conteúdos do ensino médio. Entretanto, o Ministério da Educação (MEC) propôs uma mudança neste panorama. Segundo o Ministro Fernando Haddad, a ideia é unificar as provas de todas as universidades federais do Brasil sob o mesmo modelo do Enem, ou seja, testar a capacidade de raciocínio e não a memória dos alunos.
O novo modelo
As provas do Enem aplicadas até hoje contêm 63 questões mais uma redação. O novo Exame será composto de 200 perguntas e redação. As perguntas, porém serão mais abrangentes e terão relação direta com os conteúdos do Ensino Médio.
Além disso, a prova será realizada em dois dias e não apenas em um, como atualmente. Estão previstas quatro provas com 50 questões cada uma, divididas por área do conhecimento: línguas, incluindo Português e uma língua estrangeira, matemática, ciências naturais, com ênfase em química, física e biologia e uma de ciências humanas incluindo história e geografia, podendo também conter questões de filosofia e sociologia.
Vantagens: A extinção do vestibular em favor de um modelo de provas único - pelo menos para as universidades federais - favorece alunos que desejam cursar faculdades fora de seu estado natal. O exame nacional possibilita, por exemplo, que um estudante paulista se candidate a uma vaga na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sem que para isso tenha que enfrentar horas de estrada para realizar as provas.
Outro ponto positivo, segundo Haddad, é a reestruturação do currículo do ensino médio. O ministro critica o modelo atual e afirma que ele transforma os colégios em cursinhos de três anos, onde o aluno é treinado para provas e não orientado a usar o raciocínio, compreender e analisar o conteúdo.
Desvantagens: Reitores de algumas universidades destacam que o projeto é bom, mas possui falhas. A facilidade dos estudantes de ingressar em uma universidade em outro estado implica, segundo o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, em maiores custos para o aluno e principalmente para a universidade que seria obrigada a conceder mais bolsas para auxiliá-lo.
A implantação
O ministro explicou que a adesão de uma universidade ao novo modelo não inibe que a instituição use outros instrumentos de ingresso, como os que levam em conta as políticas afirmativas ou nos moldes do Programa de Avaliação Seriada (PAS), aplicado pela Universidade de Brasília. A proposta também não inviabiliza que as instituições complementem o processo seletivo com provas específicas muito comuns em arquitetura e medicina.
O novo exame seria aplicado ainda este ano independente da adesão ou não de todas as universidades federais. Em reunião com o ministro Fernando Hadadd, no último dia 6 de abril, os reitores das 55 universidades federais concordaram em adotar o novo modelo. Agora, o MEC irá redigir um documento técnico sobre detalhes do novo processo seletivo e expor aos reitores para que debatam e façam suas escolhas.
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