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 HOME Educa » FAMÍLIA » ACONTECE 
   NOTÍCIA POSTADA DIA 01-04-2009VOLTAR  
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FALTA DE INFORMAÇÃO - POPULAÇÃO MATA 1,5 MIL MACACOS Falta de Informação - população mata 1,5 mil macacos
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Falta de Informação - população mata 1,5 mil macacos
Medo da Febre Amarela faz população do RS matar 1,5 mil macacos.

A desinformação é um dos grandes problemas dos tempos atuais. Tivemos uma prova disso no Rio Grande do Sul, quando cerca de 1,5 mil macacos bugios foram mortos pela população por conta do medo da Febre Amarela. Segundo biólogos locais, as pessoas acreditam que os macacos são os responsáveis pela propagação da Febre, quando, na verdade, eles e muitos outros animais são grandes auxiliadores no combate às doenças.

O mesmo tem ocorrido com os porcos após o aparecimento dos primeiros casos da gripe suína, que atualmente tem provocado pânico mundial. Em alguns países como o Egito, a ordem é sacrificar todos os porcos para tentar tranqüilizar a população. Embora a doença ainda não tenha chegado ao mais populoso país árabe, especialistas acreditam que uma pandemia devastaria todo Egito, que concentra a maioria de seus habitantes no Vale do Nilo.

Conscientização é papel do Estado

Para evitar o extermínio dos bugios, biólogos gaúchos criaram uma campanha para proteger os macacos, que desde o início do último surto no Estado vêm sofrendo vários tipos de violência. Segundo Júlio César Bicca-Marques, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o problema da morte dos macacos está relacionado à falta de informação da população, que teme serem eles os grandes causadores da Febre.

A campanha, de nome "Proteja seu anjo da guarda", é um alerta para que o Estado conscientize as pessoas com relação à vacinação e imunização, tranqüilizando-as. Para Júlio, os macacos são fontes de pesquisas para cura, porque se não fossem eles a doença só seria descoberta depois do primeiro caso em humanos.

Desde o aparecimento do surto no fim do ano passado, 18 pessoas contraíram a Febre Amarela no Estado e sete delas morreram. Já para a morte dos animais, fica difícil uma identificação, pois pode ter ocorrido por vários motivos, entre eles, por febre amarela ou envenenamento.

A relação direta dos macacos com a Febre Amarela

De acordo com o especialista em transmissão de parasitas do sangue e vice-diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz), Ricardo Lourenço de Oliveira, os macacos não são depósitos naturais do vírus que provoca a Febre Amarela.

Na verdade, os mosquitos só são contaminados quando picam os macacos durante a infecção viral, que no máximo dura apenas cinco dias. Depois desse período, o macaco morre ou se torna imune. Por esse motivo, acredita-se que as pessoas estejam atacando e matando animais saudáveis que não tiveram contato com a doença ou que já estejam imunes.

Pesquisadores ainda não conseguiram identificar os reais reservatórios naturais do vírus que provoca a Febre Amarela. Assim como o vírus da dengue, que pode ser transmitido por várias gerações de mosquitos Aedes aegypti, o mesmo pode acontecer com o vírus da Febre Amarela, já que pertence ao mesmo gênero - Flavivirus.

Além da extinção, morte provoca outros problemas

A morte prematura dos macacos - sejam eles bugios ou não - é um grande problema para a natureza. A extinção sem dúvida é o fator principal, mas a ausência de animais para experimentação no caso de se conseguir anticorpos de combate aos vírus é um problema gravíssimo. Nos surtos de Febre Amarela em humanos, os macacos desempenham um papel fundamental para evitar a propagação, pois funcionam como "sentinelas" sobre a circulação do vírus.

Outro problema grave é o fato de que os mosquitos do tipo Haemagogus - responsáveis pela transmissão da forma silvestre da Febre Amarela - não suportam a escuridão e a umidade das florestas, por isso dão preferência aos ambientes secos e claros das copas, onde se concentram os macacos e seu principal alimento, o sangue. Embora eles evitem ambientes escuros e úmidos, saem em busca de outros animais, caso sua fonte de nutrientes se torne escassa. Quando isso acontece, geralmente encontram o homem.

Informação ainda é o melhor caminho

Toda ação gera uma reação! Às vezes, matar um animal que pensamos ser um problema pode ocasionar um problema ainda maior. Antes de agir, procure saber exatamente qual a situação real de um surto ou doença e principalmente se informar sobre as medidas seguras que podem ser adotadas para evitá-los.

Não mate os animais! Caso entre em contato com algum que julgue ser um perigo, ligue para o serviço responsável pelos animais de sua cidade e peça ajuda. Evite o pânico em caso de situações como a Gripe Suína ou Febre Amarela. Leia bastante sobre o assunto, troque informações e fique atento sobre as campanhas realizadas pelo Governo.