Menos de 2% dos pobres brasileiros têm acesso à internet em casa.
Um levantamento da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) revelou a distância do acesso à internet entre as casas dos que têm maior e menor poder aquisitivo na região. O estudo foi feito em 2007 e as conclusões divulgadas este mês.
No Brasil, de acordo com os dados, mais de 52% das residências mais ricas tem acesso à rede mundial de computadores, enquanto 1,7% das mais pobres o possuem. Em uma lista com 14 países da região, o país lidera a desigualdade. Em onze dos países pesquisados, o acesso à internet por parte da população mais rica pode ser até 30 vezes maior que o acesso pelos mais pobres. A Nicarágua foi o país com menos ricos e também menos pobres com internet em casa.
Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2007, o Brasil conta com cerca de 32 milhões de usuários de internet. Segundo o IBGE, os internautas brasileiros tem em média 28 anos de idade, 10,7 anos de estudo e um rendimento médio mensal domiciliar per capita de R$1.000,00.
Apesar da desigualdade
Apesar de liderar em desigualdade, o Brasil ficou em terceiro lugar no ranking como país onde os pobres tem o maior acesso, atrás apenas do Chile e do México. Pelo número dos mais ricos incluídos digitalmente, os brasileiros ficaram em primeiro lugar, seguidos pelo Chile e pelo México.
Banco de dados
A Cepal criou um banco de dados com indicadores sobre tecnologia da informação e comunicação (TIC) para fazer o estudo. O banco cruza informações sobre uso de computadores, internet e telefones, por exemplo, com indicadores socioeconômicos, auxiliando na elaboração de políticas de inclusão digital. De acordo com o órgão, por meio da tecnologia, serviços de saúde, educação e governo eletrônico podem ficar mais acessíveis aos cidadãos.
Mariana Balboni, coordenadora da pesquisa, explica que a ferramenta propicia um cenário sobre o uso dessas tecnologias na região. A partir dos resultados, os países podem desenvolver ou pesquisar novos esforços e ampliar o acesso..
A Cepal reuniu informações em inglês e espanhol de 17 países, colhidas por meio de pesquisas domiciliares feitas entre 2000 e 2007. São mais de 40 variáveis sobre TIC e 20 indicadores socioeconômicos, como renda e escolaridade. No sistema, o cruzamento pode ser feito de várias maneiras.
A coordenadora do projeto explica que os dados das pesquisas nacionais foram harmonizados com base em padrões estatísticos internacionais. Para inclusão de novas informações um dos desafios é a padronização das pesquisas.
Exclusão digital e renda
Balboni destaca que a avaliação dos resultados é feita por cientistas sociais, não pelos organizadores do sistema. Mas adianta, com base nos indicadores, que a renda influencia no acesso à tecnologia nos país latino-americanos. Para ele, de maneira geral, a exclusão digital acompanha a exclusão social em cada país, refletindo nos dados.
No campo e na cidade
Além da pesquisa sobre desigualdade em acesso entre ricos e pobres, a Cepal realizou levantamento sobre a disponibilidade de computadores nas residências das áreas urbanas e rurais. Nesse caso, a diferença entre o acesso nas casas da região urbana e da região rural é cerca de 17%.
No Brasil, mais de 30% das casas nas áreas urbanas possui acesso à internet, enquanto a disponibilidade nas áreas rurais é de 5%. Entre todos os países pesquisados, a média é de nove vezes mais disponibilidade em cidades em relação ao campo. A Costa Rica foi o país que mais apresentou habitantes da zona rural com computadores em casa: 13,7%.
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