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As teorias sobre rivalidades entre populações pré-históricas que culminaram em extinção de espécies e povos são muito comuns dentro do estudo da paleontologia. Por isso, cada vez que novos indícios vão surgindo sobre a real história da humanidade, cientistas não medem esforços para reforçar suas teses. Essa semana foi a vez de um grupo de cientistas da Universidade Estadual de Kent.
Através da revista Science, os pesquisadores divulgaram uma descoberta que mais uma vez pode mudar o curso da história da evolução humana: um ancestral dos homens atuais de 4,4 milhões de anos foi encontrado, significando que a família chamada “humanidade” está 1 milhão de anos mais velha.
Bem antes de Lucy
O exemplar, nomeado de Ardipithecus ramidus e carinhosamente chamado de “Ardi”, é uma espécie que vivia na região onde hoje se localiza a Etiópia e é mais velha que o mais antigo esqueleto de ancestral humano já encontrado.
O esqueleto atual pertenceu a uma fêmea e veio de 1 milhão de anos antes do nascimento de Lucy, uma espécie também encontrada na África e batizada de Kenyanthropus platyops. Lucy reinou durante um quarto de século como o mais antigo ancestral do homem moderno.
Um novo curso sobre a evolução humana
Segundo C. Owen Lovejoy, um dos antropólogos da Universidade de Kent, esse esqueleto "inverte o senso comum da evolução humana”, pois sugere que -diferentemente de terem evoluído de uma espécie similar ao chimpanzé - os humanos e os próprios chimpanzés evoluíram de um ancestral comum e logo depois seguiram linhas distintas na cadeia evolutiva.
O estudo revelou também que os macacos africanos atuais não possuem muitas das características encontradas em Ardi. Tal fato significa que os macacos modernos e os humanos atuais certamente tiveram um ancestral comum entre 6 e 7 milhões de anos atrás.
“Ardi” andava ereta
O esqueleto do Ardipithecus ramidus, que significa “raiz dos macacos terrestres”, foi montado com as 125 peças encontradas pelos cientistas. Descobertos em 1994, os primeiros ossos mostraram que a espécie vivia em florestas e podia subir em árvores. Porém, essa mesma espécie não passava muito tempo pendurada já que pelo desenvolvimento de seus braços e pernas, podia andar sobre duas pernas e na posição ereta.
Segundo Tim White, diretor do Centro de Evolução Humana da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a nova espécie possui uma forma que não evoluiu muito em direção aos Australopithecus - ancestrais do gênero Homo. A aparência do Ardipithecus não se parece nem com um chimpanzé e nem com um humano, por isso indica ser uma espécie diferente de ambos.
Características do Ardipithecus
Encontrada na região da Etiópia, junto a fósseis de plantas e animais, sendo 29 espécies de aves e 20 espécies de pequenos mamíferos, Ardi provavelmente vivia em uma região arborizada.
Seus caninos superiores eram mais parecidos com os dentes de humanos modernos do que com os caninos de chimpanzés machos. No lugar do nariz, um focinho saliente que dava a ela uma aparência semelhante a dos macacos. Mas, muitas características de seu crânio - como a área sobre os olhos - são bem diferentes das dos chimpanzés.
Alguns detalhes encontrados no fundo do crânio de Ardi sugerem que a espécie ficava posicionada de maneira similar a dos humanos modernos. Suas mãos e punhos não possuíam marcas características dos modernos chimpanzés e gorilas - eram uma mistura de características primitivas e modernas.
As palmas das mãos e os dedos eram relativamente curtos, flexíveis e permitiam que sustentasse o peso do próprio corpo enquanto estava sobre as árvores.
Fim do mistério?
Há muito tempo a comunidade científica "briga" para descobrir a verdadeira história humana, o chamado elo perdido entre humanos e macacos. Será que Ardi é o fim do mistério? Vamos continuar acompanhando as descobertas.
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