Primeira plantação de árvores transgênicas em larga escala nos EUA será de eucalipto.
Já parou para pensar quantos hectares de florestas nativas foram necessários para produzir os livros escolares que você usou até hoje? Muita gente responderia milhares. Mas diferente do que se pensa, a resposta certa é quase nenhum. Há quase 50 anos, pelo menos, a forma que o homem encontrou para proteger florestas nativas - como a Amazônica - da extração para produção de papel e também de móveis, lenha, carvão vegetal e chapas de madeira, foi o reflorestamento. Uma técnica que permite que a maior parte da produção de celulose e outros produtos venham do replantio de espécies para essa finalidade.
Prevalecendo-se disso, a Argoben, indústria de papel dos Estados Unidos planeja plantar florestas de eucaliptos geneticamente modificados em sete Estados do sul do país especificamente para a produção de papel. Mas, embora pareça uma boa solução, a decisão está mexendo com a opinião de especialistas preocupados com a introdução de um grande número de plantas modificadas na região.
A empresa obteve junto ao Departamento de Agricultura uma autorização para testes de campo com um máximo de 250.000 árvores a serem plantadas em 29 locais, ao longo dos próximos anos. Entretanto, segundo a diretora-executiva do grupo ativista Global Justice Ecology Project, Anne Petermann, o eucalipto é uma espécie que apresenta riscos ao meio ambiente já que são invasivos, requerem muita água e aumentam as ocorrências de incêndios. "É uma árvore perigosa para se plantar em massa", disse ela.
Eucaliptos – uma espécie exótica
Em termos gerais, os eucaliptos são árvores nativas da Oceania e, em alguns casos raros, arbustos, que constituem o gênero dominante da flora e incluem mais de 700 espécies, quase todas originárias da Austrália. Eles caracterizam a paisagem da Oceania e se adaptam praticamente a todas as condições climáticas.
No Brasil, o Setor Florestal conta com aproximadamente 4,8 milhões de hectares de florestas plantadas com pinus, eucalipto e acácia-negra. Essas florestas têm como objetivo garantir suprimento de matéria-prima para as indústrias de papel e celulose, siderurgia a carvão vegetal, lenha etc. As áreas de reflorestamento estão distribuídas, em sua maioria, nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Silvicultura – SBS – a procura é grande e, por isso, há uma necessidade de plantio em torno de 630 mil hectares da planta por ano. Segundo a instituição, essa necessidade se distribui da seguinte forma: 170 mil ha / ano para celulose, 130 mil ha / ano para madeira sólida, 250 mil ha / ano para carvão vegetal e 80 mil ha / ano para energia.
Esses dados revelam a importância do eucalipto, que por ser uma espécie de uso múltiplo, tem a possibilidade de atender a vários segmentos.
O risco
Em contrapartida, o eucalipto é considerado uma espécie exótica e seu plantio pode provocar a destruição da fauna e da flora nativas, já que tanto para plantá-lo quanto para a produção de celulose nas fábricas demanda-se uma grande quantidade de água, o que provoca o esgotamento das fontes naturais, sem falar no uso extensivo de agrotóxicos que envenenam rios, córregos e lençóis freáticos.
Geneticamente modificado
O eucalipto é uma espécie que produz polpa de alta qualidade para a produção de papel, porém até agora só conseguia prosperar em climas mais quentes. Sendo assim, a ArborGen alterou geneticamente as árvores para suportar temperaturas muito baixas. O objetivo é ver até que ponto é possível plantá-las ao norte. Alem disso, a empresa afirma que plantações de eucaliptos grossos e de crescimento rápido podem produzir um maior número de madeira em uma área menor, garantindo a preservação de florestas nativas.
Essa experiência marca a primeira plantação de árvores transgênicas em larga escala nos Estados Unidos.
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