Ela pode influenciar no processo político?
Em pleno século 21 é impossível não reconhecer que a tecnologia promove mudanças em quase todas as áreas do conhecimento humano. Da saúde às relações sociais, dos transportes à política, as inovações tecnológicas passaram a fazer parte do dia-a-dia. O próprio processo eleitoral brasileiro é um exemplo, pois desde 2006, utiliza urnas eletrônicas para registro dos votos. Mas, em 2008, foi a vez da internet se tornar uma importante ferramenta política. Com a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos, muitos atribuíram o resultado positivo ao bom uso da rede. O candidato americano se manteve conectado aos eleitores em canais no Youtube e em perfis no Twitter e FaceBook, além de Blog e outras ferramentas. Em cada um desses canais a comunicação era dirigida especificamente para o público.
Criava-se então uma nova forma de campanha eleitoral. Os santinhos, debates e comícios ganharam um reforço virtual rapidamente assimilado pelos pré-candidatos às eleições presidenciais brasileiras. Esse apoio vem, principalmente, dos 140 caracteres do Twitter onde Dilma Roussef (@dilmabr), Marina Silva (@silva_marina) e José Serra (@joseserra_) mantém perfis que, segundo uma recente pesquisa, atingiram 5 milhões de usuários na última semana.
O papel da Internet
Para os estrategistas de campanha a internet será um instrumento de mobilização de militantes, mas não terá força para mudar votos. Especialistas afirmam que ainda é cedo para apontar se a internet será decisiva no processo eleitoral, mas, ainda assim, PSDB, PT e PV investem em equipes especializadas em marketing digital e buscam conselheiros envolvidos na campanha de Obama.
Um dos pontos positivos apontados por analistas é que através de seus perfis os pré-candidatos podem responder diretamente aos possíveis eleitores esclarecendo mal entendidos e divulgando temas positivos. Além disso, na internet as mensagens se multiplicam mais rapidamente do que em outros meios de comunicação.
O perfil do internauta
Pesquisadores de mídia apontam que o “efeito Obama” não deve se repetir no Brasil por conta do perfil do eleitor/internauta. Isto ocorre porque a internet é muito mais abrangente nos EUA. Segundo um levantamento da comScore, empresa que mede audiência da internet em mais de 40 países, 9,8% dos americanos acessam páginas com conteúdo político enquanto só 2% dos internautas brasileiros navegam por essas páginas.
Outro filtro também diminui o impacto das ações virtuais, o critério sócio-econômico. Dados do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) mostram que, no fim de 2009, só 24% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet - cerca de 13,5 milhões de casas. Esse porcentual é ainda menor no Nordeste e no Norte (13%). Assim, o perfil de eleitor atingido pelas mídias eletrônicas é aquele de maior poder aquisitivo e não a maioria da população.
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