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   NOTÏCIA POSTADA DIA 26-01-2010VOLTAR  
ELEFANTES AFRICANOS
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O comércio de marfim, substância obtida através dos dentes caninos de animais como elefantes, morsas e hipopótamos, está elevando o risco de extinção entre os elefantes africanos. Segundo informações, o destino da espécie será decidido este ano durante o encontro da Convenção Internacional sobre Comércio de Espécies Ameaçadas (Cites), que acontecerá em março.

No encontro, os governos da Zâmbia e Tanzânia pretendem negociar a venda de 112 toneladas de marfim, acumuladas legalmente, pela morte natural dos animais. A proposta, que já representa uma ameaça, causou reações negativas em diversos países do continente africano. Uma frente liderada por Mali e Quênia pretende cobrar na reunião a execução da moratória internacional sobre a venda de marfim que começou a vigorar em 1989.

Moratória Internacional

O tratado entrou em vigor depois que a população de elefantes começou a apresentar significativa redução durante as décadas de 70 e 80 devido ao tráfico de marfim. A medida, determinada há 20 anos, representa uma das mais importantes conquistas da história do ambientalismo e hoje pode ser uma das esperanças no esforço pela preservação dos elefantes africanos.

Em 2004, durante a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora celebrada em Bangcoc, a iniciativa do Quênia para obter uma moratória de 20 anos para o comércio do marfim fracassou. Na época, a ação recebeu o apoio da União Europeia, porém não foi suficiente para conseguir reunir os dois terços dos votos necessários.

De acordo com um porta-voz do Fundo Internacional para o Bem-estar Animal na época, os animais foram os mais prejudicados com o resultado final da votação. "Os elefantes do mundo inteiro vão sofrer as conseqüências. Os que votaram contra esta proposta votaram contra os elefantes."

O marfim

O marfim, que tem um alto valor comercial, é muito utilizado na fabricação de colares, enfeites e outros objetos. A caça predatória para retirar as presas dos animais e vendê-las tem provocado um grande “desfalque” na natureza.

População de elefantes cai pela metade

As estatísticas mostram que a preocupação desses países tem bases sólidas. Na época em que foi decretado o bloqueio à venda do marfim, mais precisamente na década de 80, o número de elefantes africanos caiu pela metade, de 1,3 milhões para 625 mil.

Ainda depois da moratória internacional, dois grandes leilões de marfim desencadearam uma nova onda de mortes de elefantes em emboscadas clandestinas. As conseqüências desses leilões foram gravíssimas: Libéria e Senegal têm hoje em suas terras, menos de dez elefantes. Já em Serra Leoa não existe mais nenhum, os animais foram totalmente extintos.

Ásia tem maior concentração de marfim

Caçadores clandestinos que conseguem grandes quantidades de marfim comercializam o produto diretamente para a Ásia. No ano de 2009, cerca de 15 toneladas de presas foram apreendidas no continente. Esse total representa o sacrifício de 1500 elefantes.

No último leilão de marfim, realizado em 2007 pelo Cites, um novo acordo proibia a realização de um evento semelhante nos próximos nove anos. Mas, com o pequeno aumento da população de elefantes na África os apelos para uma retomada limitada das exportações de marfim voltou a fazer parte dos planos de alguns países.

Elefantes só no zoológico

Tanzânia e Zâmbia tentam agora encontrar alguma brecha na resolução para quebrar o acordo. Bourama Niagati, diretor de parques ambientais em Mali, declarou que a Europa precisa entrar na luta contra a comercialização do marfim. “A Europa precisa fazer a coisa certa e nos apoiar, antes que seja tarde demais”, disse ele.

Segundo Niagati, daqui a alguns anos será praticamente impossível encontrar elefantes fora de zoológicos caso esse tipo de comércio não seja proibido. O diretor afirma que é preciso deixar que os animais se recuperem pelo menos nos próximos 20 anos.

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