Comemorando os vinte anos!
As primeiras tragadas do cigarro nunca são muito agradáveis. A experiência leva a engasgos, tosses, tonturas e mal-estar. É preciso muita motivação para persistir e vencer as dificuldades, ou melhor, o desprazer inicial.
Além da curiosidade, o que pode, então, levar alguém a insistir na façanha?
Segundo o Inca – Instituto Nacional do Câncer, responsável por programas públicos de controle ao tabagismo, 90% dos fumantes iniciam seu consumo antes dos 19 anos, quando ainda estão em fase de construção da personalidade. Vários fatores levam os jovens a experimentar o cigarro ou outros derivados do tabaco. A imitação do comportamento do adulto e a necessidade de auto-afirmação estão entre eles.
A indústria tabagista durante décadas soube aliar as demandas sociais e as fantasias dos diferentes grupos (adolescentes, mulheres, faixas economicamente mais pobres etc ) ao uso do cigarro. Não era à toa que o cigarro aparecia associado a sucesso, prazer raro, juventude, coragem, virilidade e outras tantas aspirações comuns ao ser humano.
Quando as consequências se tornaram evidentes, organismos vinculados à Saúde Pública em todo mundo passaram a liderar campanhas antitabagistas, não só voltadas para o público como também para os governantes, sensibilizando-os para mudanças nas políticas públicas referentes à propaganda, comercialização e consumo do tabaco.
A reação não tardou. A indústria tabagista reforçou a verba publicitária, multiplicando-a ano a ano. Essa escalada só foi interrompida, no Brasil, a partir de 2000, com a restrição da publicidade de cigarro, e de produtos derivados do tabaco, a pontos externos de venda.
A promoção e o marketing de produtos derivados do tabaco junto ao público jovem são essenciais para que a indústria do fumo consiga manter e expandir suas vendas.
Para burlar a proibição, a indústria procura utilizar imagens de ídolos que são modelos de comportamento para adolescentes, portando cigarros ou fumando, como publicidade indireta, passando a impressão de que o tabagismo é muito mais comum e socialmente aceito do que na realidade é.
O Dia Mundial sem Tabaco é um marco, que ajuda a reforçar todas as campanhas e leis criadas no mundo para desestimular o tabagismo.
Para quem acha que virou paranóia
A pessoa que fuma fica dependente da nicotina, que é uma droga bastante poderosa. A nicotina atua no sistema nervoso central como a cocaína, com a diferença que chega mais rápido ao cérebro! Precisa apenas de 7 segundos - 2 a 4 segundos menos que a cocaína. Por isso, a abstinência provoca grande ansiedade no começo, porém as dificuldades diminuem a cada dia.
Segundo o Inca, as estatísticas revelam que em comparação com os não fumantes, o risco de quem fuma é 10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão; 5 vezes maior de sofrer infarto; 5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar e 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral.
Além disso, os fumantes adoecem duas vezes mais que os não fumantes. Têm menor resistência física, menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual. Envelhecem mais rapidamente e apresentam um aspecto físico menos atraente, pois ficam com os dentes amarelados e com odor de fumo.
Estima-se que, no Brasil, a cada ano, 200 mil pessoas morrem precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo. E este número não para de aumentar.
Por tudo isso, você também não acha que dia 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco, deva ser prestigiado e comemorado?
|