|
A estatal russa de gás Gazprom garantiu ter retomado o envio de gás para a Europa, depois de novo acordo com a Ucrânia e a União Européia. Mesmo assim, a fornecedora afirma que encontrou barreiras no acesso aos gasodutos da Naftogaz, companhia de gás ucraniana.
O acordo anterior fora descartado pelo presidente russo, Dmitri Medvedev. Os russos contestavam, por exemplo, a afirmação de que a Ucrânia não tinha dívidas com a Gazprom.
Gazprom X Naftogaz
Em virtude de desentendimentos entre a Gazprom e a Naftogaz sobre o preço do gás, a gigante russa suspendeu o envio de gás via território ucraniano durante 12 dias, prejudicando 18 países europeus. A Rússia alegou que o fornecimento foi interrompido porque a Ucrânia estava desviando o gás destinado à Europa.
Em consequência da falta de gás, houve o fechamento de escolas, indústrias e hospitais e a interrupção dos trabalhos em diversas empresas. E, como a crise coincide com o rigoroso inverno europeu (um dos mais frios dos últimos anos), os problemas são ainda maiores, porque milhares de pessoas ficaram sem calefação.
Tamanho prejuízo se explica pela importância da Gazprom no fornecimento de gás para a Europa: 25% do gás que abastece países do continente são provenientes da Rússia, sendo que 80% são transportados pelos gasodutos ucranianos.
Crise envolve outras questões
Há algum tempo, Estados Unidos e União Europeia reclamam que a Rússia vende gás mais barato para algumas ex-repúblicas soviéticas. Os protestos levaram os russos a decidir que a Ucrânia devia passar a pagar, pelo produto, valor semelhante ao que é cobrado a toda a Europa.
"A Rússia quis dar uma lição de geopolítica nos Estados Unidos e na União Européia. Os russos estão jogando xadrez com o Ocidente e o tabuleiro é a Ucrânia", explica o professor de Geografia André Fernandes.
|